Privilégio e Protagonismo

domingo, 24 de abril de 2016

Postado por:Maria Raquel


Você acha que não é privilegiado.
Você acha que porque seus pais se esforçaram para te mandar para a faculdade, você não tem nada de diferente.
Você acha que por eles trabalharem muito por você, que não tem nada a mais que milhares de outros.
Você acha que é igual a todo o resto do mundo. Que está na mesma "luta" que todos os outros.
Você não vê que apenas esse ato, dos seus pais cuidarem de você, já é um privilégio.

Você acha que a cor da sua pele não te diferencia.
Você acha que conhecer fulano ou ciclano não te faz melhor que outros.
E você acha que todos tem as mesmas condições.

Você acha que quem está na cadeia, no tráfico de drogas e na periferia escolheu estar lá.
Você acha que todo mundo tem escolha, porque você tem.
E você acha que as pessoas tem prioridades diferentes, você acha que elas escolhem ter um celular a ter uma casa própria.

Você acha que as pessoas vivem as custas do governo. Mesmo enquanto você trabalha para ele.
Mas você trabalha, você se esforça para ter o que tem.
E seus filhos vivem às suas custas, porque eles podem. Porque você trabalha duro para eles.
E você não acha que eles são privilegiados. Eles são iguais a todos os outros filhos.

Você acha que quem está descontente com uma situação, que reclame.
Mas você não cala a boca para ouvir a reclamação alheia.
Você nunca cala a boca.
Você nunca ouve os outros.

Você tem seu lugar de fala. Aliás, você fala pra caralho.
Você não deixa ninguém mais falar.
Não, não é mais seu lugar para falar. Não é meu lugar também.
Apenas cale a boca e escute.

Todas Essas Músicas de Coração Partido

domingo, 27 de março de 2016

Postado por:Maria Raquel

Nunca me apaixonei.
Queria.
Às vezes.
Às vezes acho que seria complicado demais.

Auto-sabotagem gigante e um pouco (muito) de ego.
Escolhas erradas, pessoas erradas, momentos errados.
Auto-suficiência forçada.
Quem precisa de outra pessoa? Quem precisa de romance?

Penso nessas músicas de amor romântico.
Parecem estar falando de um mito.
Algo que nunca vou entender.

Mas principalmente, não sinto o coração partido.
Posso entender, posso tentar simular.
Mas sentir, sentir algo intenso, que sobe à cabeça mais rápido que tequila?
Nunca aconteceu.

Acho que algumas pessoas não foram feitas para ouvir músicas de coração partido.
E outras não foram feitas nem pra músicas de romance.

Desisto

sábado, 26 de março de 2016

Postado por:Maria Raquel


Costumava pensar que se alguém não queria ir para algum lugar não adiantava ficar convidando a pessoa.
Se alguém não quer sair com você não adianta convidar se vai falar não de qualquer forma.
Quem não é visto não é lembrado.
Se você não aparece, uma hora não te chamam mais.

"Desisto", "não adianta chamar porque ela não vai", "nem chamei, ele não vem mesmo".

Por que alguém iria insistir em chamar se você não quer ir, não quer estar na presença da pessoa?
Certo?
Uhm, a vida é um pouco mais complicada que isso.

Tem momentos em que não é possível sair.
Da cama, do quarto, de casa.
Não faz diferença estar lá dentro ou fora.
Em um bar com os amigos ou de baixo das cobertas.

(Na verdade é até melhor estar de baixo das cobertas porque ninguém vai julgar sua cara de cu.
Ali não é preciso mentir pra todos que perguntam o que você tem com "só estou cansado".)

Todo mundo fala que é preciso se envolver, é preciso estar presente.
Mas no final a verdade é que ninguém gosta de pessoas depressivas.
Nem elas mesmo.



Tudo Bem?

segunda-feira, 14 de março de 2016

Postado por:Maria Raquel


"Tudo bem?"
Não, não está tudo bem.
Alguém que está bem não fica semanas trancado no quarto saindo raramente para comer e sem conseguir ter interações humanas.
Alguém que está bem não dorme o dia todo e assiste seriados de gente rica durante a madrugada porque os problemas absurdos deles são mais fáceis de resolver que os seus.

(Lembram quando a Lara foi sequestrada por terroristas do Leste Europeu e o Johnny teve que pagar o resgate, mas na verdade era uma armadilha que o inimigo do pai dele fez para matar Johnny por vingança?
Lara, que nunca teve que se preocupar com o quanto estava gastando por dia para viver.
Lara, que nunca pesou verdadeiramente que o caminho que escolheu para seguir em sua vida não está levando a lugar nenhum.
Lara, que nunca teve sentimento de culpa por estar vivendo as custas dos pais quando todo o mundo da mesma idade dela já está constituindo a própria família.)

Mas não, não é só "enfrentar".
Não é "apenas ir".
Não é "levante da cama, abra a janela, que tudo vai melhorar".
O mundo não exige mais apenas presença. O mundo quer atenção, quer feedback e opinião.

E é difícil se fazer presente quando só se tem um sentimento dentro da gente.
É impossível prestar atenção quando tudo que sua mente faz é gritar internamente.
E é ainda mais inimaginável deixar esse sentimento de lado.

Por que deixar de sentir esse sentimento quer dizer que não haverá sentimento nenhum.
Será só um vazio.

Nem lembro mais de como é se sentir feliz.
Sei que aconteceu por causa das lembranças.
Mas é algo que parece tão distante, tão enevoado, que a única certeza é que nunca mais vai acontecer.

Tédio

sábado, 12 de março de 2016

Postado por:Maria Raquel

Não importa.
Não, não sei o que você vai dizer.
Apenas não importa.

Nem deveria estar aqui.
Tudo é tédio, sem graça, se perde fácil, enjoa.

A sua vida não importa, mas a minha também não.
Não entenda errado.
Não é como se me importasse o suficiente para fazer algo a respeito.
O tédio consume a alma, o corpo, o ar em volta.

Tudo é tédio.
Tem que se esperar que um dia ele também enjoe.

Mas não é que não quero dizer nada.
Não há nada para dizer.
Não falo nada porque na minha mente estou gritando o tempo todo.



Não Sinto Nada

domingo, 6 de dezembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Quero beber até dançar até o chão.
Quero beber até não saber o que estou falando.
Quero beber até subir na mesa.
Quero beber até beijar um estranho.

Quero beber até esquecer o que estou fazendo.
Quero beber até ir fazer xixi no matinho.
Quero beber até vomitar em um banheiro qualquer.
Quero beber até não saber como voltar pra casa.

Quero beber até ter que ficar no chão porque tudo gira ao meu redor.
Quero beber até brigar com o DJ.
Quero beber até me agarrar com alguém no meio da pista de dança.
Quero beber até não lembrar do rosto da pessoa que estou beijando.

Quero beber até me sentir livre.
Beber até sentir que nada nunca irá conseguir me segurar.
Até que não tenha nada mais dentro de mim.
Até que eu não sinta mais nada.

Só tenho essa noite.



Escrotisse

domingo, 22 de novembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Ultimamente só consigo pensar em quão babaca eu sou.
Desse jeito, verbo ser, primeira pessoa, singular.
Nada de algo transitório.
Parece patológico quase.

Existe tradução pra "jerk"?
"Jerk" é uma ótima palavra pra me descrever.
Escroto?
Escroto.

Escroto.
Assim mesmo: no masculino.
Com distinção de gênero sim, pra aumentar a escrotisse.

Como é que arruma as coisas com alguém que você já escrotizou?
Como que faz essa pessoa não ficar brava?
Como que explica que apesar de vocês querem coisas diferentes, você ainda não quer ver ninguém magoado?
Ou pior, mais egoísta ainda: você não quer ninguém te odiando...

O auge da escrotisse é pensar no outro pensando em você.

Auto-sabotagem

domingo, 15 de novembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

A coisa mais difícil da existência humana é encontrar alguém que você goste.
Não que goste de você. Muita gente gosta de você.
Mais do que você imagina.

E não estou falando de um gostar de achar legal.
Falo de estar apaixonado.
Ou da possibilidade de se apaixonar por você.

O grande problema é o inverso.
A possibilidade de você se apaixonar de volta.

É isso que chamam de auto-sabotagem?
Não conseguir gostar de alguém que claramente está interessado em você?

É se interessar por aquele alguém que namora?
(Que ama outro)
Que não está nem um pouco interessado em você?

E não conseguir ter o mínimo de interesse na pessoa interessada por você?

Isso te torna uma pessoa ruim?



Isso é uma crônica do Veríssimo

sábado, 24 de outubro de 2015

Postado por:Maria Raquel


A originalidade às vezes falha.

"Genial essa ideia ein"
É pois é... Genial.
Bem original.
Pensei nela assim, do nada.
Sem ajuda de ninguém.

Estava um dia de bobeira e me veio.
Do nada mesmo.
Prontinha na cabeça.
Escritinha desse jeito.
Não tive que tirar nem por.

"Muito boa".
Realmente muito boa.
"Inscreve ela nesse prêmio aqui".
"Bota ela nesse concurso".

"Essa ideia é genial, aposto que ela ganha".

Genial mesmo.
Tão genial que alguém já tinha pensado antes.
E nem tinha me dado conta.
Essa ideia já era do Veríssimo.


Mas pensando bem, Veríssimo nunca seria tão melancólico.

Podíamos Ter Tido Tudo

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Postado por:Maria Raquel


Ontem sonhei com você.
Foi estranho e bom.
Um sonho reconfortante, por incrível que pareça.

No sonho não estávamos juntos.
Nem sei se iríamos voltar a ficar.
Mas tinha um sentimento geral de eu e você.

E por isso estranho.
Porque nós não tivemos nada.
(Pareceu ser nada. Casos de verão não contam para nada.)
- Summer love, happened so fast -
E não acho que vamos ter no futuro.
Mas tem um fundo do meu inconsciente que diz que a gente podia ter tido.

O mais estranho é que não quero ter nada com você.
Não mais.
Já quis, já superei.

Mas o inconsciente da gente é estranho e nos fala coisas bizarras.
Freud sabia disso.
E meu sonho também.

A gente podia ter tido tudo.
Mas na vida real não foi bem assim.
O pior é que meu inconsciente sabe e acho que você sempre soube também.

Mas acordei com saudade.


Lembrando de Não Lembrar de Você

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Postado por:Maria Raquel

Sei o que disse.
Superei.
I'm over it.

Eu sei.
Nem alguns meses atrás.

Mas a verdade é que não.
Não superei.
Not over it.

Me pego voltando meu pensamento pra você o tempo todo.
Mas que estupidez.
Burrice, imaturidade... O que queira chamar.
A realidade é que, sim, continuo pensando em você da mesma forma.
Não é ridículo?

Não é como se quisesse.
Não quero.
Não é racional.
Não tem sentido.

Mas você me vem ao pensamento.
Minha alma gêmea que não sabe que é minha alma gêmea.
Por que não consigo me distanciar?
A grande pergunta.
Por que sempre que estou prestes a conhecer alguém decente você me vem a lembrança, me dizendo que nunca ninguém vai te substituir na minha vida?
Que você é quem eu nem sabia que estava esperando.
Que depois que te encontrei todos os outros parecem tão inferiores emocionalmente.

Sempre tive péssimo timing.
Mas com você foi timing de tragédia grega.
Um timing horrível que continua me assombrando depois de anos.
E me faz sentir como se estivesse no fim de um filme do Nicholas Sparks.


Taking Things Too Slow

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Postado por:Maria Raquel

Existe esse negócio de levar as coisas devagar demais?
Sabe, igual em filme de relacionamento quando um diz pro outro:
"Let's take this slow."
É possível conseguir levar o this too slow?

(Assim em inglês mesmo. Ultimamente parece que a vida é o começo de uma romcom ruim dos anos 90 que nunca passa dos primeiros vinte minutos e que o Netflix insiste em recomendar.)

Esse ano era pra ser:
Gostar de alguém que gosta de mim.
Não assustar a pessoa.
Esperar tudo acontecer naturalmente.
(Deixa acontecer, na-tu-ral-men-te. Eu não quero ver, vocêêê chorar)

Deixar o amor encontrar a gente?

Mas acho que nunca fui boa em deixar as coisas acontecerem.
Ou fui até demais.
Deixar pra lá.

A preguiça.
A vida.
O enfado de correr atrás.

E no momento em que se corre atrás parece algo mecânico e estranho.
Quase como um ritual de acasalamento em que é necessário fazer isso ou aquilo para dar certo.
Se algo não acontece, já era.
Procure outro par.
Se conseguir achar outro.

É possível levar as coisas tão devagar, mais tão devagar, que parece que você as levou rápido demais?
Porque muitas vezes o sentimento é esse.



Todos Esses Caras Que Eu Quase Tive

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Tenho essa fantasia recorrente na minha mente.
Ela sempre ocorre no futuro, onde minha vida é perfeita.
Emprego, apartamento, frutas e verduras na geladeira.
(Nesse futuro eu tenho uma geladeira.)

Estou andando na rua e nos trombamos.
É você.
Os dois surpresos em se encontrar em uma cidade com milhões de habitantes.
Conversamos, botamos o papo em dia.
É como se nunca tivéssemos nos separado.

Às vezes a rua se transforma em uma grande livraria.
Outras é uma balada barulhenta em que decidimos abandonar nossos amigos e ficar conversando a noite toda.
Outras ainda é um café, uma Starbucks, um lugarzinho obscuro na Augusta.
Um casamento. Um aniversário.
Um show qualquer que alguém me obrigou a ir junto.

Às vezes não é você, mas outro cara.
Outro com quem eu também fantasio.
Outros.
Esses outros também são você.
Eles se transformam em você quando não é você que está lá, trombando comigo.
Sim, é confuso e estranho.
Exceto pra mim.

O cenário muda, o cara muda.
Mas o sentimento é o mesmo.
Uma segunda chance.

Para finalmente fazer certo.
Para finalmente falar o que devia ter falado.
Fazer o que deveria ter feito.
Mudar o que está escrito.
Mudar esse futuro sem você.

Você é todos esses caras que eu quase tive, e todos esses caras são você.
Todas essas oportunidades perdidas.
Essas realidades alternativas.
Esses caminhos não tomados.

E às vezes eu fantasio sobre andar por eles de novo.
Sobre como o destino poderia me dar uma mãozinha e me fazer te encontrar.
Esbarrar em você.
Numa avenida qualquer. Em um shopping.
Num ônibus.

Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.


You Were My Top

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Tenho um pouco de medo de que você tenha sido o máximo que eu consiga.
O meu topo do mundo particular.
Depois que desci desse seu topo, parece que todo o resto é tão comum.
Tão bobo e comum, tão chato e sem graça.

Tenho medo de acordar um dia e perceber que nunca vou conseguir alguém melhor que você.
Você tinha tudo.
E nada.
E você foi meu topo.

Por pouco tempo, sim.
Mas por tempo o suficiente para me perguntar se vou conseguir te superar.
Não emocionalmente falando.
Nesse quesito já te superei faz tempo.

Mas será que um dia essa sensação de que você foi a melhor coisa que me aconteceu vai passar?
Será que vou conseguir olhar para trás e pensar em você como apenas mais uma estrada?
Não mais meu topo.
Não mais a maior conquista da minha humanidade.

Mas apenas mais um desvio.
Um pequeno morrinho que tive que passar pra chegar no verdadeiro Everest.
No meu verdadeiro topo.
Quem sabe até na minha Lua.


Memórias de Infância

sábado, 24 de janeiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Aleatórias e estranhas.
Desconexas.
Pintadas de sépia.
Não são estranhas as memórias da infância?

Sua mãe deitada em um quarto escuro, sem conseguir se levantar por horas.
Um grande salão com o teto pintado como o céu azul, cheio de nuvens, e símbolos do Zodíaco nas paredes.
(Mesmo criança, você sabia que eram símbolos do Zodíaco. Como?)
Pular para cima e para baixo em um sofá-cama azul escuro com um pedaço queimado de ferro.

Bolo de cenoura com cobertura de chocolate.
Dura, como uma casquinha. Macio e cheio de chocolate nas divisões.
Uma picada ardida de vespa no dedinho do pé.
Ver o céu depois de uma imensidão de folhas ao escalar uma antiga goiabeira.

Piscina de plástico azul cheia de ondas no fundo.
Foguete de garrafa PET.
Uma fogueira de festa junina de papel celofane.

Roda roda roda. Roda roda roda. Roda roda roda. Rodou.
Ranger de tacos, cheiro de naftalina.
Leite com nescau em um copo de vaquinha.
Geladeira colorida.
Bege. Azul. Vermelha.

Um Voyage antigo com penduricalhos religiosos no painel.
Branco.
Pipoca salgada. Amendoim doce. No cone de papel.

Deitar numa cama de casal.
Acordar sendo levado para seu próprio quarto.
E sempre dormir com a porta aberta.

Sobre Irmãos

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Sabe quando você vê algo em seu dia a dia e se lembra de alguém.
Então você não vê a hora de encontrar com essa pessoa e contar tudo pra ela.
Não apenas sobre aquilo que você viu, mas tudo.
Tudo o que está acontecendo na sua vida.

Aquele post no Facebook.
Aquela cena no supermercado.
A frase ouvida no transporte público.

Meus irmãos são meus melhores amigos.
Sim, eu finalmente disse.

Às vezes me sinto diferente por tê-los como amigos.
Tantos irmãos se odeiam no mundo.
Tantos irmãos são estranhos um ao outro por aí.

E então temos nós.
Piadas internas de uma vida toda.
Passado, presente, futuro.
Nos irritamos.
Nos entendemos.
Nos amamos.

O que seria de mim sem eles?
Não seria eu.
Não seríamos nós.

Meu Deus, como sinto falta dos meus irmãos.


O Ano Termina

domingo, 21 de dezembro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Não é mágico como nossa noção de tempo-espaço muda frenquentemente?
Como ela se transforma segundo nossas percepções?
A claustrofobia diminui os ambientes.
E o tempo é estendido ou encurtado segundo nossas ansiedades ou os acontecimentos que enchem nossas vidas.

Um ano pode ser percebido como dois. Três. Quatro.
“Esse ano foi tão ruim que não acaba nunca. Até parece que foram dois anos em um.”
“Esse ano aconteceu tanta coisa. Parecem que foram uns três anos.”
Esse ano aconteceu tanta coisa que pareceu uma vida.

Uma vida em um ano.
Uma vida com pequenos momentos infinitos.
Pequenos infinitos em que se podia ser tudo. E nada.
Onde nos sentíamos parte do Universo. E o Universo estava dentro da gente. Era a gente.
Momentos em que nossa alma se sentia gigantesca, expandida, como se não fosse terminar nunca.

“E naquele momento jurei que éramos infinitos.”

E aqueles momentos infinitos terminaram.
O ano terminou.

Mas outro já vem nascendo aí.

E com ele mais uma vida de momentos infinitos.

Ilusões Desiludidas

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Faz alguns dias me perguntei se você não seria apenas uma ilusão da minha mente.
A resposta veio agora.
Sim.
Sim, você é.

Não somos as mesmas pessoas que fomos anos atrás.
Eu mudei muito.
Você, mais ainda.
Tão distantes daquilo que éramos.

Não é incrível a claridade que vem com ciúmes psicótico?
(Peguei essa frase do meu filme favorito.)
Uma claridade tão fresca, tão expansionista, que me puxou de volta à realidade.

Você é uma ilusão.
Talvez sempre tenha sido uma ilusão.
E agora, mais do que nunca, estou deixando essa ilusão desaparecer.

Minha solidão não está mais me matando.
Então, baby, don't hit me no more.


Quase, Mais Uma Vez

domingo, 9 de novembro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Fiquei um bom tempo pensando em você mais uma vez.
Você, sempre você.
Por que você?
Não sei.

Seu jazz. Suas piadas. Seu jeito.
Parece que agora tudo se mistura em uma névoa.
Quase nem consigo lembrar seu sorriso mais.

Será que te inventei?
Não. Acho que não é possível que inventasse alguém como você.
Que na primeira vez já veio dizendo: "Você se parece com a Kristen Stewart."
Eu odeio a Kristen Stewart.

Será que inventei sua lembrança?
Provavelmente sim.
Cada vez mais vou esquecendo como você realmente era.
Te tornando um vazio maleável que construo a meu bel prazer.
Uma massinha de modelar em que coloco minhas esperanças.
Uma imagem psicossomática que aparece sempre que necessito.

E mais uma vez, quase te escrevi algo.
Mas então pensei bem.
Para quê?
Apenas para suprir um capricho tolo?
Provar algo?
Tirar um pouco da solidão, consequência da própria vida que escolhi?

Não tenho esse direito.
Temos que viver com nossas decisões e suas repercussões.

Mas ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar:
E se?
E se não for só isso?
E se todo esse tempo esse sentimento não foi inventado, mas verdadeiro?
E se você pensa desse mesmo jeito?

É por isso que, quando eu não envio nada, queria que soubesse, que eu quase envio tudo.


Negra Sim!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Um dia disse: negra.
E me disseram: negra?
Eu disse: negra!
E me disseram: negra não.

Me disseram:
Morena.
Pretinha.
Cor de jambo.
Moreninha.

Ouvi tanto o que me diziam que acabei dizendo também.
Dizia: negra não, morena.
Dizia: moreninha.
Dizia até: pretinha.

Disse tanto.
Disse a vida toda.
Disse por tanto tempo que acabei acreditando que negra não.
Negra não, morena.

E meus filhos, e meus netos, negros não.
Brancos.
Brancos.

Negra não.


 

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