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Todas Essas Músicas de Coração Partido

domingo, 27 de março de 2016

Postado por:Maria Raquel

Nunca me apaixonei.
Queria.
Às vezes.
Às vezes acho que seria complicado demais.

Auto-sabotagem gigante e um pouco (muito) de ego.
Escolhas erradas, pessoas erradas, momentos errados.
Auto-suficiência forçada.
Quem precisa de outra pessoa? Quem precisa de romance?

Penso nessas músicas de amor romântico.
Parecem estar falando de um mito.
Algo que nunca vou entender.

Mas principalmente, não sinto o coração partido.
Posso entender, posso tentar simular.
Mas sentir, sentir algo intenso, que sobe à cabeça mais rápido que tequila?
Nunca aconteceu.

Acho que algumas pessoas não foram feitas para ouvir músicas de coração partido.
E outras não foram feitas nem pra músicas de romance.

Desisto

sábado, 26 de março de 2016

Postado por:Maria Raquel


Costumava pensar que se alguém não queria ir para algum lugar não adiantava ficar convidando a pessoa.
Se alguém não quer sair com você não adianta convidar se vai falar não de qualquer forma.
Quem não é visto não é lembrado.
Se você não aparece, uma hora não te chamam mais.

"Desisto", "não adianta chamar porque ela não vai", "nem chamei, ele não vem mesmo".

Por que alguém iria insistir em chamar se você não quer ir, não quer estar na presença da pessoa?
Certo?
Uhm, a vida é um pouco mais complicada que isso.

Tem momentos em que não é possível sair.
Da cama, do quarto, de casa.
Não faz diferença estar lá dentro ou fora.
Em um bar com os amigos ou de baixo das cobertas.

(Na verdade é até melhor estar de baixo das cobertas porque ninguém vai julgar sua cara de cu.
Ali não é preciso mentir pra todos que perguntam o que você tem com "só estou cansado".)

Todo mundo fala que é preciso se envolver, é preciso estar presente.
Mas no final a verdade é que ninguém gosta de pessoas depressivas.
Nem elas mesmo.



Tudo Bem?

segunda-feira, 14 de março de 2016

Postado por:Maria Raquel


"Tudo bem?"
Não, não está tudo bem.
Alguém que está bem não fica semanas trancado no quarto saindo raramente para comer e sem conseguir ter interações humanas.
Alguém que está bem não dorme o dia todo e assiste seriados de gente rica durante a madrugada porque os problemas absurdos deles são mais fáceis de resolver que os seus.

(Lembram quando a Lara foi sequestrada por terroristas do Leste Europeu e o Johnny teve que pagar o resgate, mas na verdade era uma armadilha que o inimigo do pai dele fez para matar Johnny por vingança?
Lara, que nunca teve que se preocupar com o quanto estava gastando por dia para viver.
Lara, que nunca pesou verdadeiramente que o caminho que escolheu para seguir em sua vida não está levando a lugar nenhum.
Lara, que nunca teve sentimento de culpa por estar vivendo as custas dos pais quando todo o mundo da mesma idade dela já está constituindo a própria família.)

Mas não, não é só "enfrentar".
Não é "apenas ir".
Não é "levante da cama, abra a janela, que tudo vai melhorar".
O mundo não exige mais apenas presença. O mundo quer atenção, quer feedback e opinião.

E é difícil se fazer presente quando só se tem um sentimento dentro da gente.
É impossível prestar atenção quando tudo que sua mente faz é gritar internamente.
E é ainda mais inimaginável deixar esse sentimento de lado.

Por que deixar de sentir esse sentimento quer dizer que não haverá sentimento nenhum.
Será só um vazio.

Nem lembro mais de como é se sentir feliz.
Sei que aconteceu por causa das lembranças.
Mas é algo que parece tão distante, tão enevoado, que a única certeza é que nunca mais vai acontecer.

Tédio

sábado, 12 de março de 2016

Postado por:Maria Raquel

Não importa.
Não, não sei o que você vai dizer.
Apenas não importa.

Nem deveria estar aqui.
Tudo é tédio, sem graça, se perde fácil, enjoa.

A sua vida não importa, mas a minha também não.
Não entenda errado.
Não é como se me importasse o suficiente para fazer algo a respeito.
O tédio consume a alma, o corpo, o ar em volta.

Tudo é tédio.
Tem que se esperar que um dia ele também enjoe.

Mas não é que não quero dizer nada.
Não há nada para dizer.
Não falo nada porque na minha mente estou gritando o tempo todo.



Não Sinto Nada

domingo, 6 de dezembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Quero beber até dançar até o chão.
Quero beber até não saber o que estou falando.
Quero beber até subir na mesa.
Quero beber até beijar um estranho.

Quero beber até esquecer o que estou fazendo.
Quero beber até ir fazer xixi no matinho.
Quero beber até vomitar em um banheiro qualquer.
Quero beber até não saber como voltar pra casa.

Quero beber até ter que ficar no chão porque tudo gira ao meu redor.
Quero beber até brigar com o DJ.
Quero beber até me agarrar com alguém no meio da pista de dança.
Quero beber até não lembrar do rosto da pessoa que estou beijando.

Quero beber até me sentir livre.
Beber até sentir que nada nunca irá conseguir me segurar.
Até que não tenha nada mais dentro de mim.
Até que eu não sinta mais nada.

Só tenho essa noite.



Escrotisse

domingo, 22 de novembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Ultimamente só consigo pensar em quão babaca eu sou.
Desse jeito, verbo ser, primeira pessoa, singular.
Nada de algo transitório.
Parece patológico quase.

Existe tradução pra "jerk"?
"Jerk" é uma ótima palavra pra me descrever.
Escroto?
Escroto.

Escroto.
Assim mesmo: no masculino.
Com distinção de gênero sim, pra aumentar a escrotisse.

Como é que arruma as coisas com alguém que você já escrotizou?
Como que faz essa pessoa não ficar brava?
Como que explica que apesar de vocês querem coisas diferentes, você ainda não quer ver ninguém magoado?
Ou pior, mais egoísta ainda: você não quer ninguém te odiando...

O auge da escrotisse é pensar no outro pensando em você.

Auto-sabotagem

domingo, 15 de novembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

A coisa mais difícil da existência humana é encontrar alguém que você goste.
Não que goste de você. Muita gente gosta de você.
Mais do que você imagina.

E não estou falando de um gostar de achar legal.
Falo de estar apaixonado.
Ou da possibilidade de se apaixonar por você.

O grande problema é o inverso.
A possibilidade de você se apaixonar de volta.

É isso que chamam de auto-sabotagem?
Não conseguir gostar de alguém que claramente está interessado em você?

É se interessar por aquele alguém que namora?
(Que ama outro)
Que não está nem um pouco interessado em você?

E não conseguir ter o mínimo de interesse na pessoa interessada por você?

Isso te torna uma pessoa ruim?



Isso é uma crônica do Veríssimo

sábado, 24 de outubro de 2015

Postado por:Maria Raquel


A originalidade às vezes falha.

"Genial essa ideia ein"
É pois é... Genial.
Bem original.
Pensei nela assim, do nada.
Sem ajuda de ninguém.

Estava um dia de bobeira e me veio.
Do nada mesmo.
Prontinha na cabeça.
Escritinha desse jeito.
Não tive que tirar nem por.

"Muito boa".
Realmente muito boa.
"Inscreve ela nesse prêmio aqui".
"Bota ela nesse concurso".

"Essa ideia é genial, aposto que ela ganha".

Genial mesmo.
Tão genial que alguém já tinha pensado antes.
E nem tinha me dado conta.
Essa ideia já era do Veríssimo.


Mas pensando bem, Veríssimo nunca seria tão melancólico.

Lembrando de Não Lembrar de Você

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Postado por:Maria Raquel

Sei o que disse.
Superei.
I'm over it.

Eu sei.
Nem alguns meses atrás.

Mas a verdade é que não.
Não superei.
Not over it.

Me pego voltando meu pensamento pra você o tempo todo.
Mas que estupidez.
Burrice, imaturidade... O que queira chamar.
A realidade é que, sim, continuo pensando em você da mesma forma.
Não é ridículo?

Não é como se quisesse.
Não quero.
Não é racional.
Não tem sentido.

Mas você me vem ao pensamento.
Minha alma gêmea que não sabe que é minha alma gêmea.
Por que não consigo me distanciar?
A grande pergunta.
Por que sempre que estou prestes a conhecer alguém decente você me vem a lembrança, me dizendo que nunca ninguém vai te substituir na minha vida?
Que você é quem eu nem sabia que estava esperando.
Que depois que te encontrei todos os outros parecem tão inferiores emocionalmente.

Sempre tive péssimo timing.
Mas com você foi timing de tragédia grega.
Um timing horrível que continua me assombrando depois de anos.
E me faz sentir como se estivesse no fim de um filme do Nicholas Sparks.


Taking Things Too Slow

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Postado por:Maria Raquel

Existe esse negócio de levar as coisas devagar demais?
Sabe, igual em filme de relacionamento quando um diz pro outro:
"Let's take this slow."
É possível conseguir levar o this too slow?

(Assim em inglês mesmo. Ultimamente parece que a vida é o começo de uma romcom ruim dos anos 90 que nunca passa dos primeiros vinte minutos e que o Netflix insiste em recomendar.)

Esse ano era pra ser:
Gostar de alguém que gosta de mim.
Não assustar a pessoa.
Esperar tudo acontecer naturalmente.
(Deixa acontecer, na-tu-ral-men-te. Eu não quero ver, vocêêê chorar)

Deixar o amor encontrar a gente?

Mas acho que nunca fui boa em deixar as coisas acontecerem.
Ou fui até demais.
Deixar pra lá.

A preguiça.
A vida.
O enfado de correr atrás.

E no momento em que se corre atrás parece algo mecânico e estranho.
Quase como um ritual de acasalamento em que é necessário fazer isso ou aquilo para dar certo.
Se algo não acontece, já era.
Procure outro par.
Se conseguir achar outro.

É possível levar as coisas tão devagar, mais tão devagar, que parece que você as levou rápido demais?
Porque muitas vezes o sentimento é esse.



You Were My Top

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Tenho um pouco de medo de que você tenha sido o máximo que eu consiga.
O meu topo do mundo particular.
Depois que desci desse seu topo, parece que todo o resto é tão comum.
Tão bobo e comum, tão chato e sem graça.

Tenho medo de acordar um dia e perceber que nunca vou conseguir alguém melhor que você.
Você tinha tudo.
E nada.
E você foi meu topo.

Por pouco tempo, sim.
Mas por tempo o suficiente para me perguntar se vou conseguir te superar.
Não emocionalmente falando.
Nesse quesito já te superei faz tempo.

Mas será que um dia essa sensação de que você foi a melhor coisa que me aconteceu vai passar?
Será que vou conseguir olhar para trás e pensar em você como apenas mais uma estrada?
Não mais meu topo.
Não mais a maior conquista da minha humanidade.

Mas apenas mais um desvio.
Um pequeno morrinho que tive que passar pra chegar no verdadeiro Everest.
No meu verdadeiro topo.
Quem sabe até na minha Lua.


Sobre Irmãos

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Sabe quando você vê algo em seu dia a dia e se lembra de alguém.
Então você não vê a hora de encontrar com essa pessoa e contar tudo pra ela.
Não apenas sobre aquilo que você viu, mas tudo.
Tudo o que está acontecendo na sua vida.

Aquele post no Facebook.
Aquela cena no supermercado.
A frase ouvida no transporte público.

Meus irmãos são meus melhores amigos.
Sim, eu finalmente disse.

Às vezes me sinto diferente por tê-los como amigos.
Tantos irmãos se odeiam no mundo.
Tantos irmãos são estranhos um ao outro por aí.

E então temos nós.
Piadas internas de uma vida toda.
Passado, presente, futuro.
Nos irritamos.
Nos entendemos.
Nos amamos.

O que seria de mim sem eles?
Não seria eu.
Não seríamos nós.

Meu Deus, como sinto falta dos meus irmãos.


Quase, Mais Uma Vez

domingo, 9 de novembro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Fiquei um bom tempo pensando em você mais uma vez.
Você, sempre você.
Por que você?
Não sei.

Seu jazz. Suas piadas. Seu jeito.
Parece que agora tudo se mistura em uma névoa.
Quase nem consigo lembrar seu sorriso mais.

Será que te inventei?
Não. Acho que não é possível que inventasse alguém como você.
Que na primeira vez já veio dizendo: "Você se parece com a Kristen Stewart."
Eu odeio a Kristen Stewart.

Será que inventei sua lembrança?
Provavelmente sim.
Cada vez mais vou esquecendo como você realmente era.
Te tornando um vazio maleável que construo a meu bel prazer.
Uma massinha de modelar em que coloco minhas esperanças.
Uma imagem psicossomática que aparece sempre que necessito.

E mais uma vez, quase te escrevi algo.
Mas então pensei bem.
Para quê?
Apenas para suprir um capricho tolo?
Provar algo?
Tirar um pouco da solidão, consequência da própria vida que escolhi?

Não tenho esse direito.
Temos que viver com nossas decisões e suas repercussões.

Mas ao mesmo tempo, não consigo deixar de pensar:
E se?
E se não for só isso?
E se todo esse tempo esse sentimento não foi inventado, mas verdadeiro?
E se você pensa desse mesmo jeito?

É por isso que, quando eu não envio nada, queria que soubesse, que eu quase envio tudo.


Negra Sim!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Um dia disse: negra.
E me disseram: negra?
Eu disse: negra!
E me disseram: negra não.

Me disseram:
Morena.
Pretinha.
Cor de jambo.
Moreninha.

Ouvi tanto o que me diziam que acabei dizendo também.
Dizia: negra não, morena.
Dizia: moreninha.
Dizia até: pretinha.

Disse tanto.
Disse a vida toda.
Disse por tanto tempo que acabei acreditando que negra não.
Negra não, morena.

E meus filhos, e meus netos, negros não.
Brancos.
Brancos.

Negra não.


Se Eu Fosse Homem

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Se eu fosse um cara, seria bem escroto.
Não que eu quisesse ser, ou soubesse que estava sendo.
Mas a sociedade se encarregaria disso.
Branco, de classe média-alta, com todas as oportunidades apresentadas de bandeja.

Se eu fosse um cara seria bem diferente do que sou hoje.
A criação seria praticamente a mesma: escola particular, ter tudo o que quer.
Esse seria o problema.
Teria tudo o que quisesse.
Tudo mesmo.

Se eu fosse um cara meu gênero não me impediria de tomar nenhuma decisão.
Poderia morar onde quisesse, não importando o quão perigosa seria a vizinhança.
Poderia ir e vir sem me sentir coagida a evitar certos lugares.
Poderia olhar para onde quisesse sem que se precipitassem o motivo.

Se eu fosse um cara não precisaria tentar com tanto afinco.
Não precisaria fazer tanto esforço.
Teria uma personalidade parecida?
Teria os mesmos gostos?
Talvez não precisasse ser o que sou.
Talvez não soubesse ser o que sou.

Se eu fosse um cara, provavelmente seria gay.
E aí tudo o que disse antes mudaria completamente.


Quase

sábado, 13 de setembro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Quase te mandei uma mensagem hoje.
Sim, quase. Sim, de novo.
Escrevi ela praticamente inteira na minha mente.
Quase digitei.
Mas aí percebi o quão lunática estava sendo.

Porque fazem dois anos já.
Dois anos. Dois anos?!
Pois é, dois anos.

Se me perguntassem a quanto tempo não nos vemos iria dizer que há alguns meses.
Que acabei de falar com você sobre o lançamento daquele filme novo.
Porque pra mim sua imagem está tão nítida na minha memória.
Para mim parece que não nos falamos desde o começo do ano.
Mas na verdade foi a quase dois anos.

Dezembro chega, dezembro vai.
E fico nessa, de sempre quase te mandar mensagens.

Dezembro sempre foi uma criança problemática.
Tanto que causa problemas até mesmo em setembro.


Mas Que Idiota

domingo, 31 de agosto de 2014

Postado por:Maria Raquel

Às vezes eu não entendo algumas pessoas.
Não, pra falar a verdade, não entendo alguns caras.

Pra que dizer que você beijaria uma menina se no final não o vai?
Pra que combinar algo e não cumprir?

Não é mil vezes mais fácil falar que não irá e pronto?
Não dar nenhuma esperança?
Cortar o mal pela raiz?

Por que é que as mulheres tem que ser tão claras ao rejeitar um cara, mas os homens podem enrolá-las tanto?

E dizem que as mulheres que são confusas.

Apenas um beijo.
Não um pedido de casamento.
Ou um ultimato de gravidez.
Era apenas um beijo.

Idiota. É só o que consigo pensar pra nomear sua atitude.
Idiota. É só o que consigo pensar pra te nomear.

Você pode ser o que for, mas é também, um idiota.
(E no momento te odeio com todas as forças.)

The Great Perhaps

sábado, 19 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel

Pensei em você hoje.
Sonhei acordada com o nosso reencontro.
Ambos éramos mais velhos, mais resolvidos, mais corajosos.

Nos encontramos por acaso, claro.
Dissemos tudo o que não tivemos coragem ou oportunidade de dizer antes de pararmos de nos falar.
Quer dizer, eu disse.
Eu estava mais corajosa. Eu falei as coisas que sempre quis falar para você.
Você era fruto da minha imaginação.
Era o que eu queria que fosse. Se comportou como eu desejava que se comportasse.

Começamos com conversas bobas, sobre outros que faziam parte da nossa vida.
Sobre o passado e sobre o quanto estávamos mudados.
Sobre a última vez que nos vimos, e sobre como era aquelas poucas vezes que conversávamos.

Não tive coragem de terminar o devaneio.
Não tive coragem de te inventar mais.
Não tive coragem de alimentar mais essas ilusões.

Que vamos nos reencontrar.
Que você ainda vai estar contente em me rever, como fazia no passado.
E que, finalmente, algo além iria acontecer.

Acho que se tratando de você, o que sempre me faltou foi coragem.
Deve ser por isso que bebo tanto.

Dormente

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel

Existem vários tipos de dormência.
A que mais engana é quando parecemos viver intensamente.
Quando parecemos alegres, felizes, rosados.
Por fora.

Por dentro, não sentimos nada.
Nada de alegria, nada de tristeza.
Por dentro há um ar blasé que nunca passa. Aquele tédio eterno de tudo.
Das pessoas, dos lugares, dos sentimentos.

Não é nem amargura.
É uma falta de sentidos, uma dormência.
Um nada.

E aí vamos vivendo intensamente, tentando satisfazer esse nada.
Às vezes dá certo. Por um pequeno momento.
Às vezes nos sentimos felizes. Às vezes irritados.
Mas logo passa.

Viver rápido o bastante para fugir dos demônios do passado.
Das escolhas, certas e erradas.

Mas será que se viver rápido o bastante o passado fica para trás?
Se viver rápido o bastante todos os "e se"s não vão mais nos assombrar?

Às vezes, quando a gente vive rápido demais, não vivemos nada.
Às vezes, nosso coração precisa de um desfibrilador.
Ou de um amor.

Os dois são a mesma coisa afinal, não?

A Culpa É Minha

domingo, 15 de junho de 2014

Postado por:Maria Raquel

Eu vou culpar o timing.
Que foi errado da sua parte. E que foi errado da minha parte.
Vou culpar o horário.

Vou culpar também o local.
Vou sempre culpar o local.
Que local inoportuno você escolheu.

Culparei sim o tempo.
O cansaço.
E a Coca-Cola.

Vou culpar a minha falta de vontade em tentar.
E culpar a sua falta de coragem em insistir.
Culparei nossa resignação.

O dia foi culpado também.
E sua falta de sensibilidade.
Ou minha falta de sensibilidade.

Culparei a nós dois.
Mas a verdade é, você me pegou em um momento muito estranho da vida.
Em um momento em que estava tentando me encontrar.
E acabei te perdendo no processo.
Acontece, e a culpa não é de ninguém.

A culpa mesmo é que eu acho que nunca te quis de verdade.

 

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