Uma Namorada

domingo, 16 de junho de 2013

Postado por:Maria Raquel

Eu na verdade nunca gostei de você. Consigo enxergar isso claramente agora.
Não do jeito que eu achava que pudesse gostar durante aquele pequeno período de tempo.
E acho que você nunca gostou de mim desse jeito também.

Tudo o que não ocorreu entre nós, as palavras não ditas e as atitudes não tomadas. Nem só por isso é que afirmo que você nunca gostou de mim.
Não desse jeito que você pensou que gostava.
Quer dizer, pensou? Você alguma vez pensou que gostava de mim?
Alguma vez chegou a meramente cogitar que gostava de mim?

Bom, não vem ao caso. O caso é que a gente não se gostava. Porque se se gostasse teria pelo menos tentado ficar junto. Uma pergunta adivinhada e uma resposta tão explicada não deveriam ter nos parado. Se a gente se gostasse mesmo.
Se estivéssemos em busca da mesma coisa.

Mas não era o caso também. Porque você estava procurando por uma namorada.
Alguém que segurasse sua mão enquanto passeavam pela rua. Alguém pra assistir as mesmas coisas chatas que você. Alguém pra ir no cinema. (Eu nem gosto tanto assim de cinema.)

E eu só queria alguém que gostasse de mim.
Não pelas coisas que eu gosto, ou pelo que eu falo.
Mas pelo conjunto todo. Pela minha pessoa.
Alguém que eu também gostasse de volta.

E você só queria uma namorada.


Pão de Mel

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Postado por:Maria Raquel

Na primeira mordida tudo parecia igual. Apenas mais um pão de mel delicioso, cobertura de chocolate e recheio de "prestígio" (um leite condensado com coco).
Mas a partir da segunda tudo mudou naquela tarde.

Será que era eu? Será que meu cérebro tinha dado tilt?
Ou será que mais alguém já se sentiu desse jeito?

Porque conforme comia aquele pão de mel, a sensação era a mesma que abraçar minha mãe.
Uma sensação deliciosa, algo familiar.
Um dormir na cama com ela antes do meu pai chegar do trabalho. Um beijo rápido e um "bença" desleixado antes dela ir trabalhar. Uma lasanha de domingo que só ela sabe fazer. Um perfume característico, aquele que só ela tem.
Um abraço.
Abraço de mãe.

São algumas coisas que deveríamos tirar um tempo para aproveitar.
Algumas poucas coisas que nos fazem sentir uma sensação diferente. Aquela sensação leve de que temos todo tempo do mundo. A sensação de abraço de mãe.
Uma dessas coisas foi o pão de mel.

A outra?
Só o abraço mesmo.

Azar, Sorte ou Falta de Talento?

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Postado por:Maria Raquel

É como se você não soubesse o quão ruim é.
E no caso, realmente ruim.
Me pergunto sempre se as pessoas são sinceras. Ultimamente tenho achado que não.

"Seu cabelo está bonito", "você escreve bem", "você se veste bem".
Porque dizer a verdade é ser rude? Sério. Às vezes só queria saber o que as pessoas realmente pensam.
Porque quando elas começam a mentir muito para você, você começa a ter uma visão errada de si mesmo.

Que se dane ferir sentimentos. Que se dane o que vou pensar.
Por pelo menos um dia queria saber o que realmente pensam de mim.
"Você nunca vai conseguir", "você não é tudo isso", "não entendo porque você continua tentando", "pare de perder tempo com algo que você não sabe fazer".
Só isso.

Porque se alguém te falar isso, talvez você consiga entender que não foi feito para aquela vida. Que o caminho que você está tentando não é pra você.
Que, se você for esperto e ouvir os outros, talvez ainda não seja tarde demais para virar uma esquina e partir em outra direção.
Mas parece que as pessoas são impossíveis de falar a verdade. De dizer o quão não original você é. O quão sem talento. O quão não você é o caminho que você está tomando.

Eu só queria, por um momento, entender se é falta de sorte, se é azar demais, ou se é o talento mesmo que não existe.
Se forem as duas primeiras, talvez até possa pensar em continuar tentando.
Mas se for a última, queria mesmo que me dissessem.
Porque a opção de virar a esquina está quase aí. E se não virar agora, é bem capaz de desperdiçar uma boa parte da vida em algo que nunca conseguirei alcançar.

Sou Legal, Não To Te Dando Mole

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Postado por:Maria Raquel

Sempre tento ser legal com todo mundo. Essa é a minha natureza. Sempre foi e acho que é por isso que tanta gente gosta de mim e eu gosto de tanta gente.
Na maioria das vezes sou fácil pra conversar, embora goste de mostrar minha opinião sobre as coisas. Não de um jeito imposto. É mais algo expositivo.
Então, entendo quando as pessoas estão sendo legais comigo.

Eu só não entendo quando elas estão "dando mole".
Há uma diferença entre "dar mole" pra alguém e "dar em cima" de alguém. Dar em cima é sempre algo descarado, e vem acompanhado de uma frase esdrúxula que te repugna.
Dar mole é diferente.
É algo mais suave. Uma pequena atitude, ou um pequeno gesto que mostra que você está a fim de alguém.

Meu problema?
Nunca sei diferenciar quando essa atitude ou esse gesto é porque a pessoa está sendo legal, gentil, ou se ela está a fim. Ainda mais quando é por alguém que estou interessada.
Por alguém que acabei de conhecer e estou interessada.

Mesmo sem saber assumo que ela está a fim de mim e acabo fazendo planos mirabolantes na minha cabeça. Envolvendo a pessoa durante dez anos da minha vida. Achando que ela estava "dando mole".
Mas na verdade, ela estava só sendo legal.

Quer dizer, ainda não sei.
Não tive coragem de perguntar.
Mas me diz, você só tá sendo legal, ou tá me dando mole?


He's Just... [Blank Space]

sábado, 25 de maio de 2013

Postado por:Maria Raquel

Adoro conhecer pessoas. É uma coisa estranha de se dizer, ainda mais vindo de alguém que não gosta de pessoas.
Não gosto de pessoas no geral. No particular é outra coisa.
Pessoas do dia a dia, da rua, do ônibus, essas não me importam.
Mas a relação do motorista com o cobrador, e dos dois com o fiscal. A caixa de supermercado que passa meu cartão a cada duas semanas. O senhor do caixa que me cobra uma fortuna por um cafezinho.
Essas pessoas me despertam a curiosidade. Querer saber mais sobre elas, de onde vem, de como vivem a vida.

E aí tem você. Você em específico. Você que acabei de conhecer.
Você que é apenas um espaço em branco para mim. Um mistério.
O que você gosta? Música preferida? Odeia uma comida? Alergias?
Essas pequenas coisas estúpidas que a gente vai pegando com a convivência.
Mas queria mesmo era saber agora.

Parece que temos pouco tempo pra essa coisa de conviver. Você é um mistério pra mim, e o episódio dessa semana parece querer acabar antes que tudo possa ser revelado.
E odeio esse sentimento.
Queria mesmo era poder te conhecer melhor.

Na falta disso, fica uma lacuna em branco.
Que provavelmente nunca vai ser preenchida.

Vamos Fugir?

sábado, 18 de maio de 2013

Postado por:Maria Raquel

Vamos fugir?
Não.
Esqueça que eu disse isso. Finja que não foi pra você que perguntei. Que não estava te dirigindo a palavra. Finja que estava cantarolando a música.
Esqueça.

Não que eu não queira fugir. Ainda quero.
Só não quero ir com você.
Não me entenda mal, não é algo pessoal.
Não quero ir nem com você nem com ninguém.

Quero fugir sozinha.
Deixar tudo que me lembra o agora pra trás.
Recomeçar. Nem que seja durante um pequeno período de tempo.
Fugir das pessoas, dos lugares, dos ares e da rotina.

Fugir de mim mesma.

É por isso que não quero que vá comigo.
Você só vai me lembrar de tudo o que quero fugir.
De tudo o que preciso fugir.

Às vezes a gente só precisa de um escape.
Fugir da realidade.
Mas às vezes, a gente precisa fugir de verdade.

Algumas pessoas não foram feitas para gaiolas.


Pensamentos, Palavras, Atos e Omissões

sábado, 13 de abril de 2013

Postado por:Maria Raquel

Ainda bem que eu não te disse tudo o que queria te dizer.
Queria te perguntar o que foi que aconteceu. Se eu fiz alguma coisa. Ou se foi você.
Queria saber porque é que você nem se desculpou. Ou porque não me deu uma desculpa qualquer.
Porque não me disse mais nada.
Mas ainda bem que não fiz.

Estávamos conversando, eu e uns amigos, e fiquei sabendo do caso de uma menina. Uma menina que podia ser muitas. Que provavelmente é muitas.
Ela fez a burrice de exigir satisfação de uma coisa que nem um relacionamento era. Não sabia que ficar com alguém duas vezes não é nada. Agiu como muitas outras, e ficou taxada de sem noção.
Porque só pessoas que não tem noção do que é um relacionamento agem assim.
Pessoas que não percebem a dica das outras.
Que quando alguém para de falar com você, é porque não quer mais nada. Ou porque nunca quis nada.

Eu até pensei em te procurar. Na minha cabeça já estava te mandando milhões de perguntas.
Mas ainda bem que os atos são diferentes dos pensamentos.

Já existem muitas pessoas sem noção no mundo.
E o que mais me assusta é o quão perto passei de ser uma delas.


 

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