Sonhos

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Postado por:Maria Raquel

Sonhos mudam rapidamente. Estão ali e de repente não estão mais.
São substituídos por outros.
Quando você vê PUF é um sonho estranho na sua frente.
Fingindo que vocês se conhecem desde que você nasceu.

Alguns são apreciados no boteco da esquina, ou na padaria daquele conhecido da família.
Outros são repaginados e vendidos por três vezes mais com um nome americano.
Uma mudancinha aqui e ali.
Mas ainda o mesmo sonho.

Os sonhos tradicionais tem aquele recheio simples, que lembra a casa da vó.
Mas então vêm os outros, que não se precisa de um livro de receitas de mais de vinte anos para preparar.
Se encontra na internet, qualquer um sabe.
Um clique e o sonho está ali, na sua frente.

O problema é que nem sempre ele é o que parece.
E tem tantos jeitos diferentes de sonhar que uma formula parece até querer estragar tudo.

Sonho bom é sonho que a gente mesmo inventa.
Em conjunto ou sozinho.
O importante é apreciar o resultado.

The Great Perhaps

sábado, 19 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel

Pensei em você hoje.
Sonhei acordada com o nosso reencontro.
Ambos éramos mais velhos, mais resolvidos, mais corajosos.

Nos encontramos por acaso, claro.
Dissemos tudo o que não tivemos coragem ou oportunidade de dizer antes de pararmos de nos falar.
Quer dizer, eu disse.
Eu estava mais corajosa. Eu falei as coisas que sempre quis falar para você.
Você era fruto da minha imaginação.
Era o que eu queria que fosse. Se comportou como eu desejava que se comportasse.

Começamos com conversas bobas, sobre outros que faziam parte da nossa vida.
Sobre o passado e sobre o quanto estávamos mudados.
Sobre a última vez que nos vimos, e sobre como era aquelas poucas vezes que conversávamos.

Não tive coragem de terminar o devaneio.
Não tive coragem de te inventar mais.
Não tive coragem de alimentar mais essas ilusões.

Que vamos nos reencontrar.
Que você ainda vai estar contente em me rever, como fazia no passado.
E que, finalmente, algo além iria acontecer.

Acho que se tratando de você, o que sempre me faltou foi coragem.
Deve ser por isso que bebo tanto.

Pronto Para Fazer o Pedido?

domingo, 6 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel


Sim. Estou.
Eu quero um cara alto. Mas não tão alto.
Mas não baixo também. Mais alto que eu.
Olha a minha estatura. Calcula lá.

E que seja gostoso.
Já cansei de ficar com cara que não é gostoso. Não compensa, né.
Mas não muito gostoso também.
Não precisa ter barriga definida não.
Six pack não é necessário.

Que seja legal. Fofo. Gente boa.
E que tenha um bom papo.

Não, não.
Esquece.

Quero um bad boy.
Mas um desses bad boys com coração de ouro, sabe.
Um desses que a gente sabe que por dentro é a coisa mais linda que existe.
E que trata a mãe dele bem.
(Todo mundo fala que dá pra saber como um cara vai tratar a garota olhando pra como ele trata a mãe)

Ah, e tem que ter um sorriso lindo.
Uma coisa que não dispenso é ter um sorriso bonito.
Se não tiver sorriso bonito, devolvo sem nem ver o resto.
No mesmo dia.

Tem que ter aquele tipo de sorriso.
Sabe, aquele que quase nunca aparece. Mas que quando surge, faz as pernas ficarem bambas e a gente esquecer completamente o que é a vida.
Sabe do que estou falando, né garçom?

...
Não.
Quer saber?
Esquece.
Me traz só uma caipirinha mesmo.

Dormente

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Postado por:Maria Raquel

Existem vários tipos de dormência.
A que mais engana é quando parecemos viver intensamente.
Quando parecemos alegres, felizes, rosados.
Por fora.

Por dentro, não sentimos nada.
Nada de alegria, nada de tristeza.
Por dentro há um ar blasé que nunca passa. Aquele tédio eterno de tudo.
Das pessoas, dos lugares, dos sentimentos.

Não é nem amargura.
É uma falta de sentidos, uma dormência.
Um nada.

E aí vamos vivendo intensamente, tentando satisfazer esse nada.
Às vezes dá certo. Por um pequeno momento.
Às vezes nos sentimos felizes. Às vezes irritados.
Mas logo passa.

Viver rápido o bastante para fugir dos demônios do passado.
Das escolhas, certas e erradas.

Mas será que se viver rápido o bastante o passado fica para trás?
Se viver rápido o bastante todos os "e se"s não vão mais nos assombrar?

Às vezes, quando a gente vive rápido demais, não vivemos nada.
Às vezes, nosso coração precisa de um desfibrilador.
Ou de um amor.

Os dois são a mesma coisa afinal, não?

A Culpa É Minha

domingo, 15 de junho de 2014

Postado por:Maria Raquel

Eu vou culpar o timing.
Que foi errado da sua parte. E que foi errado da minha parte.
Vou culpar o horário.

Vou culpar também o local.
Vou sempre culpar o local.
Que local inoportuno você escolheu.

Culparei sim o tempo.
O cansaço.
E a Coca-Cola.

Vou culpar a minha falta de vontade em tentar.
E culpar a sua falta de coragem em insistir.
Culparei nossa resignação.

O dia foi culpado também.
E sua falta de sensibilidade.
Ou minha falta de sensibilidade.

Culparei a nós dois.
Mas a verdade é, você me pegou em um momento muito estranho da vida.
Em um momento em que estava tentando me encontrar.
E acabei te perdendo no processo.
Acontece, e a culpa não é de ninguém.

A culpa mesmo é que eu acho que nunca te quis de verdade.

Por Que Não Eu?

sábado, 14 de junho de 2014

Postado por:Maria Raquel


Ele beijou outra.
Já estava prevendo isso, mas ainda tinha uma esperança que seria eu.
Nem estava assim tão a fim dele. Juro.
JURO.
Então por que é que me sinto tão pra baixo?

Por que é que continuo desejando que fosse eu?
Mesmo sabendo que ele escolheu ela?
Mesmo sabendo que agora nada mais poderia acontecer entre a gente?
(Não, não poderia, vai por mim. Nada do que você falar vai justificar a gente mais.)

E eles são perfeitos um pro outro.
Eu acho. Todo mundo acha.
Nunca separaria os dois por nada no mundo.
Eles tem é que ficar juntos pra sempre.

Nem estava assim tão a fim dele. Juro mesmo.
Era uma pequena possibilidade que poderia ter acontecido.
Não aconteceu.
Bola pra frente, passa pra outro, a fila anda.


E mesmo assim, por que é que me sinto tão ruim?
Por que é que continuo achando que ele deveria ter me beijado?

Realidade x Televisão

terça-feira, 13 de maio de 2014

Postado por:Maria Raquel


Sendo criados pela televisão, tendemos a acreditar que os pais que estão convivendo conosco em nossas casas se assemelham aos pais das séries.
Principalmente se sua criação se deu nos anos 90, início dos 2000, é bem capaz de você já ter pensado em como seus pais eram ótimos.
Talvez eles fossem, mas ao mesmo tempo, não tanto assim.

Os pais da TV são perfeitos.
São pais que se chateiam com os filhos, mas que basta um cut to e tudo já está melhor.
No começo do episódio eles estão bravos, mas no final estão jantando juntos numa refeição tipicamente americana.
São injustos com os filhos, mas antes de 20 minutos percebem sua injustiça e se desculpam.

Mas os pais da vida real, eles nunca pensam desse jeito.
Para eles não se aplica a regra da solução mágica.
Na vida real não tem fade out, então nada é resolvido dentro de 20 minutos.

Na vida real a gente só tem desapontamentos.
Porque fomos criados pela TV.
E, mesmo que às vezes os pais da TV desapontem seus filhos, eles estão sempre ali para apoiá-los em suas decisões.

Ao contrário dos pais da vida real, que acham que sabem melhor como seus filhos devem viver a vida do que eles próprios.
E não aceitam ou apoiam as decisões tomadas.
Os pais da vida real são muito diferentes dos da TV.

Devíamos ter sido criados pelos primeiros.
Mas fomos pelos segundos.
E nos desapontamos.


 

Doces Comentários Ácidos
Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos e bTemplates
Imagens em: Foter
Logotipo original por M.R. Silva e FreeLogoServices