Taking Things Too Slow

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Postado por:Maria Raquel

Existe esse negócio de levar as coisas devagar demais?
Sabe, igual em filme de relacionamento quando um diz pro outro:
"Let's take this slow."
É possível conseguir levar o this too slow?

(Assim em inglês mesmo. Ultimamente parece que a vida é o começo de uma romcom ruim dos anos 90 que nunca passa dos primeiros vinte minutos e que o Netflix insiste em recomendar.)

Esse ano era pra ser:
Gostar de alguém que gosta de mim.
Não assustar a pessoa.
Esperar tudo acontecer naturalmente.
(Deixa acontecer, na-tu-ral-men-te. Eu não quero ver, vocêêê chorar)

Deixar o amor encontrar a gente?

Mas acho que nunca fui boa em deixar as coisas acontecerem.
Ou fui até demais.
Deixar pra lá.

A preguiça.
A vida.
O enfado de correr atrás.

E no momento em que se corre atrás parece algo mecânico e estranho.
Quase como um ritual de acasalamento em que é necessário fazer isso ou aquilo para dar certo.
Se algo não acontece, já era.
Procure outro par.
Se conseguir achar outro.

É possível levar as coisas tão devagar, mais tão devagar, que parece que você as levou rápido demais?
Porque muitas vezes o sentimento é esse.



Todos Esses Caras Que Eu Quase Tive

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Tenho essa fantasia recorrente na minha mente.
Ela sempre ocorre no futuro, onde minha vida é perfeita.
Emprego, apartamento, frutas e verduras na geladeira.
(Nesse futuro eu tenho uma geladeira.)

Estou andando na rua e nos trombamos.
É você.
Os dois surpresos em se encontrar em uma cidade com milhões de habitantes.
Conversamos, botamos o papo em dia.
É como se nunca tivéssemos nos separado.

Às vezes a rua se transforma em uma grande livraria.
Outras é uma balada barulhenta em que decidimos abandonar nossos amigos e ficar conversando a noite toda.
Outras ainda é um café, uma Starbucks, um lugarzinho obscuro na Augusta.
Um casamento. Um aniversário.
Um show qualquer que alguém me obrigou a ir junto.

Às vezes não é você, mas outro cara.
Outro com quem eu também fantasio.
Outros.
Esses outros também são você.
Eles se transformam em você quando não é você que está lá, trombando comigo.
Sim, é confuso e estranho.
Exceto pra mim.

O cenário muda, o cara muda.
Mas o sentimento é o mesmo.
Uma segunda chance.

Para finalmente fazer certo.
Para finalmente falar o que devia ter falado.
Fazer o que deveria ter feito.
Mudar o que está escrito.
Mudar esse futuro sem você.

Você é todos esses caras que eu quase tive, e todos esses caras são você.
Todas essas oportunidades perdidas.
Essas realidades alternativas.
Esses caminhos não tomados.

E às vezes eu fantasio sobre andar por eles de novo.
Sobre como o destino poderia me dar uma mãozinha e me fazer te encontrar.
Esbarrar em você.
Numa avenida qualquer. Em um shopping.
Num ônibus.

Na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.


You Were My Top

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Tenho um pouco de medo de que você tenha sido o máximo que eu consiga.
O meu topo do mundo particular.
Depois que desci desse seu topo, parece que todo o resto é tão comum.
Tão bobo e comum, tão chato e sem graça.

Tenho medo de acordar um dia e perceber que nunca vou conseguir alguém melhor que você.
Você tinha tudo.
E nada.
E você foi meu topo.

Por pouco tempo, sim.
Mas por tempo o suficiente para me perguntar se vou conseguir te superar.
Não emocionalmente falando.
Nesse quesito já te superei faz tempo.

Mas será que um dia essa sensação de que você foi a melhor coisa que me aconteceu vai passar?
Será que vou conseguir olhar para trás e pensar em você como apenas mais uma estrada?
Não mais meu topo.
Não mais a maior conquista da minha humanidade.

Mas apenas mais um desvio.
Um pequeno morrinho que tive que passar pra chegar no verdadeiro Everest.
No meu verdadeiro topo.
Quem sabe até na minha Lua.


Memórias de Infância

sábado, 24 de janeiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Aleatórias e estranhas.
Desconexas.
Pintadas de sépia.
Não são estranhas as memórias da infância?

Sua mãe deitada em um quarto escuro, sem conseguir se levantar por horas.
Um grande salão com o teto pintado como o céu azul, cheio de nuvens, e símbolos do Zodíaco nas paredes.
(Mesmo criança, você sabia que eram símbolos do Zodíaco. Como?)
Pular para cima e para baixo em um sofá-cama azul escuro com um pedaço queimado de ferro.

Bolo de cenoura com cobertura de chocolate.
Dura, como uma casquinha. Macio e cheio de chocolate nas divisões.
Uma picada ardida de vespa no dedinho do pé.
Ver o céu depois de uma imensidão de folhas ao escalar uma antiga goiabeira.

Piscina de plástico azul cheia de ondas no fundo.
Foguete de garrafa PET.
Uma fogueira de festa junina de papel celofane.

Roda roda roda. Roda roda roda. Roda roda roda. Rodou.
Ranger de tacos, cheiro de naftalina.
Leite com nescau em um copo de vaquinha.
Geladeira colorida.
Bege. Azul. Vermelha.

Um Voyage antigo com penduricalhos religiosos no painel.
Branco.
Pipoca salgada. Amendoim doce. No cone de papel.

Deitar numa cama de casal.
Acordar sendo levado para seu próprio quarto.
E sempre dormir com a porta aberta.

Sobre Irmãos

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Sabe quando você vê algo em seu dia a dia e se lembra de alguém.
Então você não vê a hora de encontrar com essa pessoa e contar tudo pra ela.
Não apenas sobre aquilo que você viu, mas tudo.
Tudo o que está acontecendo na sua vida.

Aquele post no Facebook.
Aquela cena no supermercado.
A frase ouvida no transporte público.

Meus irmãos são meus melhores amigos.
Sim, eu finalmente disse.

Às vezes me sinto diferente por tê-los como amigos.
Tantos irmãos se odeiam no mundo.
Tantos irmãos são estranhos um ao outro por aí.

E então temos nós.
Piadas internas de uma vida toda.
Passado, presente, futuro.
Nos irritamos.
Nos entendemos.
Nos amamos.

O que seria de mim sem eles?
Não seria eu.
Não seríamos nós.

Meu Deus, como sinto falta dos meus irmãos.


O Ano Termina

domingo, 21 de dezembro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Não é mágico como nossa noção de tempo-espaço muda frenquentemente?
Como ela se transforma segundo nossas percepções?
A claustrofobia diminui os ambientes.
E o tempo é estendido ou encurtado segundo nossas ansiedades ou os acontecimentos que enchem nossas vidas.

Um ano pode ser percebido como dois. Três. Quatro.
“Esse ano foi tão ruim que não acaba nunca. Até parece que foram dois anos em um.”
“Esse ano aconteceu tanta coisa. Parecem que foram uns três anos.”
Esse ano aconteceu tanta coisa que pareceu uma vida.

Uma vida em um ano.
Uma vida com pequenos momentos infinitos.
Pequenos infinitos em que se podia ser tudo. E nada.
Onde nos sentíamos parte do Universo. E o Universo estava dentro da gente. Era a gente.
Momentos em que nossa alma se sentia gigantesca, expandida, como se não fosse terminar nunca.

“E naquele momento jurei que éramos infinitos.”

E aqueles momentos infinitos terminaram.
O ano terminou.

Mas outro já vem nascendo aí.

E com ele mais uma vida de momentos infinitos.

Ilusões Desiludidas

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Postado por:Maria Raquel

Faz alguns dias me perguntei se você não seria apenas uma ilusão da minha mente.
A resposta veio agora.
Sim.
Sim, você é.

Não somos as mesmas pessoas que fomos anos atrás.
Eu mudei muito.
Você, mais ainda.
Tão distantes daquilo que éramos.

Não é incrível a claridade que vem com ciúmes psicótico?
(Peguei essa frase do meu filme favorito.)
Uma claridade tão fresca, tão expansionista, que me puxou de volta à realidade.

Você é uma ilusão.
Talvez sempre tenha sido uma ilusão.
E agora, mais do que nunca, estou deixando essa ilusão desaparecer.

Minha solidão não está mais me matando.
Então, baby, don't hit me no more.


 

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