Não Sinto Nada

domingo, 6 de dezembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Quero beber até dançar até o chão.
Quero beber até não saber o que estou falando.
Quero beber até subir na mesa.
Quero beber até beijar um estranho.

Quero beber até esquecer o que estou fazendo.
Quero beber até ir fazer xixi no matinho.
Quero beber até vomitar em um banheiro qualquer.
Quero beber até não saber como voltar pra casa.

Quero beber até ter que ficar no chão porque tudo gira ao meu redor.
Quero beber até brigar com o DJ.
Quero beber até me agarrar com alguém no meio da pista de dança.
Quero beber até não lembrar do rosto da pessoa que estou beijando.

Quero beber até me sentir livre.
Beber até sentir que nada nunca irá conseguir me segurar.
Até que não tenha nada mais dentro de mim.
Até que eu não sinta mais nada.

Só tenho essa noite.



Escrotisse

domingo, 22 de novembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

Ultimamente só consigo pensar em quão babaca eu sou.
Desse jeito, verbo ser, primeira pessoa, singular.
Nada de algo transitório.
Parece patológico quase.

Existe tradução pra "jerk"?
"Jerk" é uma ótima palavra pra me descrever.
Escroto?
Escroto.

Escroto.
Assim mesmo: no masculino.
Com distinção de gênero sim, pra aumentar a escrotisse.

Como é que arruma as coisas com alguém que você já escrotizou?
Como que faz essa pessoa não ficar brava?
Como que explica que apesar de vocês querem coisas diferentes, você ainda não quer ver ninguém magoado?
Ou pior, mais egoísta ainda: você não quer ninguém te odiando...

O auge da escrotisse é pensar no outro pensando em você.

Auto-sabotagem

domingo, 15 de novembro de 2015

Postado por:Maria Raquel

A coisa mais difícil da existência humana é encontrar alguém que você goste.
Não que goste de você. Muita gente gosta de você.
Mais do que você imagina.

E não estou falando de um gostar de achar legal.
Falo de estar apaixonado.
Ou da possibilidade de se apaixonar por você.

O grande problema é o inverso.
A possibilidade de você se apaixonar de volta.

É isso que chamam de auto-sabotagem?
Não conseguir gostar de alguém que claramente está interessado em você?

É se interessar por aquele alguém que namora?
(Que ama outro)
Que não está nem um pouco interessado em você?

E não conseguir ter o mínimo de interesse na pessoa interessada por você?

Isso te torna uma pessoa ruim?



Isso é uma crônica do Veríssimo

sábado, 24 de outubro de 2015

Postado por:Maria Raquel


A originalidade às vezes falha.

"Genial essa ideia ein"
É pois é... Genial.
Bem original.
Pensei nela assim, do nada.
Sem ajuda de ninguém.

Estava um dia de bobeira e me veio.
Do nada mesmo.
Prontinha na cabeça.
Escritinha desse jeito.
Não tive que tirar nem por.

"Muito boa".
Realmente muito boa.
"Inscreve ela nesse prêmio aqui".
"Bota ela nesse concurso".

"Essa ideia é genial, aposto que ela ganha".

Genial mesmo.
Tão genial que alguém já tinha pensado antes.
E nem tinha me dado conta.
Essa ideia já era do Veríssimo.


Mas pensando bem, Veríssimo nunca seria tão melancólico.

Podíamos Ter Tido Tudo

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Postado por:Maria Raquel


Ontem sonhei com você.
Foi estranho e bom.
Um sonho reconfortante, por incrível que pareça.

No sonho não estávamos juntos.
Nem sei se iríamos voltar a ficar.
Mas tinha um sentimento geral de eu e você.

E por isso estranho.
Porque nós não tivemos nada.
(Pareceu ser nada. Casos de verão não contam para nada.)
- Summer love, happened so fast -
E não acho que vamos ter no futuro.
Mas tem um fundo do meu inconsciente que diz que a gente podia ter tido.

O mais estranho é que não quero ter nada com você.
Não mais.
Já quis, já superei.

Mas o inconsciente da gente é estranho e nos fala coisas bizarras.
Freud sabia disso.
E meu sonho também.

A gente podia ter tido tudo.
Mas na vida real não foi bem assim.
O pior é que meu inconsciente sabe e acho que você sempre soube também.

Mas acordei com saudade.


Lembrando de Não Lembrar de Você

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Postado por:Maria Raquel

Sei o que disse.
Superei.
I'm over it.

Eu sei.
Nem alguns meses atrás.

Mas a verdade é que não.
Não superei.
Not over it.

Me pego voltando meu pensamento pra você o tempo todo.
Mas que estupidez.
Burrice, imaturidade... O que queira chamar.
A realidade é que, sim, continuo pensando em você da mesma forma.
Não é ridículo?

Não é como se quisesse.
Não quero.
Não é racional.
Não tem sentido.

Mas você me vem ao pensamento.
Minha alma gêmea que não sabe que é minha alma gêmea.
Por que não consigo me distanciar?
A grande pergunta.
Por que sempre que estou prestes a conhecer alguém decente você me vem a lembrança, me dizendo que nunca ninguém vai te substituir na minha vida?
Que você é quem eu nem sabia que estava esperando.
Que depois que te encontrei todos os outros parecem tão inferiores emocionalmente.

Sempre tive péssimo timing.
Mas com você foi timing de tragédia grega.
Um timing horrível que continua me assombrando depois de anos.
E me faz sentir como se estivesse no fim de um filme do Nicholas Sparks.


Taking Things Too Slow

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Postado por:Maria Raquel

Existe esse negócio de levar as coisas devagar demais?
Sabe, igual em filme de relacionamento quando um diz pro outro:
"Let's take this slow."
É possível conseguir levar o this too slow?

(Assim em inglês mesmo. Ultimamente parece que a vida é o começo de uma romcom ruim dos anos 90 que nunca passa dos primeiros vinte minutos e que o Netflix insiste em recomendar.)

Esse ano era pra ser:
Gostar de alguém que gosta de mim.
Não assustar a pessoa.
Esperar tudo acontecer naturalmente.
(Deixa acontecer, na-tu-ral-men-te. Eu não quero ver, vocêêê chorar)

Deixar o amor encontrar a gente?

Mas acho que nunca fui boa em deixar as coisas acontecerem.
Ou fui até demais.
Deixar pra lá.

A preguiça.
A vida.
O enfado de correr atrás.

E no momento em que se corre atrás parece algo mecânico e estranho.
Quase como um ritual de acasalamento em que é necessário fazer isso ou aquilo para dar certo.
Se algo não acontece, já era.
Procure outro par.
Se conseguir achar outro.

É possível levar as coisas tão devagar, mais tão devagar, que parece que você as levou rápido demais?
Porque muitas vezes o sentimento é esse.



 

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