Uma Tempestade de Verão, Por Favor

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

To querendo um amor. Acho que nunca disse isso antes. Mas estou querendo um amor.
Não é bem amor, pra falar a verdade. É mais uma paixão.
Daquelas que vêm, te preenchem e vão embora.

Nada de pra sempre. Pra sempre é utopia criada pelos poetas. Igual a eterno enquanto dure.
Quero algo que venha e vá embora.
Não precisa nem me deixar depressiva quando for. Não precisa nem fazer falta depois.
Mas precisa ser verdadeiro. Por aquele instante pelo menos.

Não quero nada muito longo também. Quando paixão se arrasta parece que vai durar pra sempre.
E não quero pra sempre, já disse. Não acredito em pra sempre.
Quero um agora. Até semana que vem.

Precisa ser intenso, mas não demais. Intensidade demais faz mal pra alma da gente. Faz a gente ficar necessitado do outro.
E não quero necessitar de ninguém.
Quero que venha e vá embora. Como tempestade de verão.

É isso mesmo que quero: tempestade de verão em forma de paixão.
Só que não quero me molhar.
Odeio chuva.
Mas adoro a sensação de frescor que ela traz.


Partir

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva
"Por que as pessoas estão sempre partindo?"
Li essa frase em algum lugar e me fez refletir.
É uma verdade inegável que pessoas estão sempre partindo. Da cidade, da nossa vida. Mas porquê?
A resposta mais simples seria "porque sim".
Por causa da vida, das circunstâncias, das oportunidades.

Mas, se pensarmos bem, ninguém precisaria partir pra nenhum lugar, a não ser para os braços inevitáveis do descanso eterno.
Partimos porque queremos mais.
Partimos porque nunca estamos satisfeitos.
Porque parado não adianta viver.
A vida é mais que olhar pela janela. É mais que ver o trem passar.

É ir. É partir. Deixar coisas para trás. Pessoas para trás.
É entrar no trem, é fazer o caminho caminhando.
É chegar ao destino, e quando chegar querer partir para outro lugar.

Sempre para frente, sempre lugares novos. Pessoas novas.
As pessoas partem porque ficar nunca é suficiente.
Às vezes não pra elas mesmas, mas pra vida.

No fundo, não são as pessoas que estão sempre partindo, mas a vida que não para.
Não dá trégua, não dá tempo, não dá acostamento.
Quem decide como se chegar ao final dela somos nós.
Mas o final é inevitável. Só depende da gente mudar a paisagem.

A Queda do Superman

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Há um momento em nossa infância em que percebemos que super heróis não existem de verdade. Que aquelas personagens que pensávamos nos proteger a qualquer custo e de qualquer e todo mal não passavam de invenções da mente humana.
Não levamos muito para atingir essa percepção. Ela vem naturalmente.
Às vezes presenciando uma injustiça acontecer conosco ou com outros.
E às vezes você só acorda uma manhã e percebe que eles simplesmente não existem.

A primeira forma é a mais dolorosa. Você vê aquilo acontecer e quem deveria interferir olha para outro lado ou esconde a vista com uma máscara.

Mas a pior forma de desapontamento é quando os heróis são de carne e osso. São aqueles próximos a nós. Os que dizem "vamos lhe amar e cuidar para que nada de ruim te aconteça".
O problema é que eles não percebem que ao não cumprir o que dizem acabam fazendo com que não acreditemos mais neles.
Nossos heróis estão mortos. Mas não fomos nós que matamos.
Eles mesmos se jogaram do prédio das nossas afeições, gritando a plenos pulmões as próprias convicções.

Se mataram como nossos heróis. A capa e máscara jazem caídas no chão e tudo o que se consegue ver é a verdadeira face. A humana.
E a face humana machuca.

A queda dos nossos heróis de carne e ossos são dolorosas para nós.
Mas importantes para percebermos que os "heróis" do mundo real não tem super poderes.
E não estarão ali para aparar nossa queda, ou nos apoiar em qualquer situação.
Porque eles mesmos já estão no chão.

Conversa de Metrô

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

"...Mas você não sabe o que ele me falou..." "...Três mil, acredita! Era isso que ele queria." "Mas e aí, vai pagar mano?" "Pior que não sei cara, porque..." "Próxima estação ... desembarque pelo lado ... do trem" "Com licença, pode me informar se é nessa estação..." "...Mas cara, ela é muito linda né?..." "...E quando é que vocês casam? Porque, sabe amiga, eu tenho essa conhecida que..."

Frases no vento. Pequenas palavras sem significado. Para qualquer outro. Talvez até para si mesmo em algum momento no futuro.
Ou com muito significado.

Conversas perdidas na pressa do metrô. Palavras ditas entre o abrir e o fechar rápido das portas.
Cuidado com as portas automáticas. E com as conversas automáticas.

Uma ou outra vai com o vento forte provocado pela chegada do trem. Outras ficam no vão entre a plataforma e o vagão. E algumas nos acompanham até a escada rolante. Até as catracas. Até a saída. Até nosso destino.
Ficam em nosso cérebro, grudadas, como a coisa em que pisamos ao fazer a baldeação.

E ainda aquelas impacientes nas catracas, com pés nervosos, olhos vidrados na saída da escada rolante e a todo momento se dirigindo a relógios. O tempo é algo precioso no metrô. E comumente é matado com conversas rápidas e desatenciosas.

Outras se cruzam como as linhas dos trens. E outras queríamos que existem, mas estão ali, caladas.
Palavras caladas em um lugar cheio de conversa.

Algumas são duras. Muito duras. Dirigidas a estranhos.
E outras, também dirigidas a desconhecidos, são doces e pacienciosas.

O metrô é assim.

Rápido, como suas conversas. Indo e vindo, como as pessoas.
Sempre andando para frente, como a vida.

Ser Feliz

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Nunca entendi muito bem porque nas novelas a vilã sempre tem que destruir a felicidade da mocinha para ser feliz.
Por que ela não consegue simplesmente ser feliz por si mesma? Que se dane a mocinha, por que não procurar a felicidade em outra coisa?

Acho que penso assim porque nunca precisei de muito para ser feliz.
A felicidade sempre foi algo natural a mim. Algo que não se precisa procurar muito para encontrar. Às vezes não se precisa procurar de forma alguma.
Parece até que ela encontra a gente, no momento que a gente menos espera. Quando a gente nem está pensando muito sobre estar feliz ou estar triste.
É um momento em que nossa mente está longe, você percebe a situação a sua volta, sorri e pensa "nossa, acho que isso é o que chamam de felicidade".

Como um dia morno de verão, no banco de trás do carro, com seus pais conversando sobre alguma besteira sem importância, e a paisagem verde da sua terra natal, com campos e mais campos, passando rápido pela sua vista, uma estrada inteira pela frente.
Ou então quando você se senta à mesa da casa da sua avó e come aquele bolo de fubá que acabou de sair do forno, enquanto ela reclama do quanto você está magro e insiste em perguntar porque nunca vai vê-la, mesmo você tendo a visto na semana passada.
Quando sua barriga dói de tanto rir de algo que um de seus amigos falou. Algo provavelmente estúpido, que outras pessoas não achariam a mínima graça, mas que por anos vocês irão relembrar e rir com a mesma intensidade.
Ou quando aquela música que dá vontade de dançar de repente começa a tocar. E sem se importar com mais nada você simplesmente esquece de tudo e começa a dançar.
Quando alguém que você não conhece está lendo seu livro favorito, e você solta um sorriso inevitável.
Uma refeição em família, em que todo mundo fala ao mesmo tempo e você não consegue distinguir nenhuma conversa.

Quando você vê seu nome na lista de aprovados.
A risada de um bebê. Ainda mais se esse bebê estiver sorrindo para você.

Aquela manhã chuvosa em que o despertador toca, você começa a se levantar e lembra que é feriado.

Não preciso ter experienciado a tristeza pra saber. Sou feliz por essas pequenas coisas.
E outras. Muitas outras.
A vida é boa.



 

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