Surpresa

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva


Não entendi muito bem o que estava acontecendo.
Me surpreendi.
De verdade.
Não aquela surpresa fingida de quando nos escondem festa de aniversário. Essa daí a gente já sabe muito antes de virar surpresa.

Surpresa surpresa mesmo.
Geralmente odeio surpresas. Não me fale "tenho uma surpresa pra você".
Nunca me fale.
A gente acaba criando expectativas muito altas pra uma coisa pequena.
A surpresa nunca é a que realmente esperamos.

Mas uma surpresa que a gente não espera?
Isso sim é surpreendente!
E foi assim que aconteceu.
Me peguei surpresa. De repente. Assim, do nada.

Nunca tinha sentido isso assim antes.
É estranho porque tem muitas coisas descrevendo o que senti por aí.
Músicas, contos, crônicas.
Mas achava que era mito. Que era como romance de Hollywood.

Só que aconteceu. De verdade. Eu senti.
Fiquei surpresa por sentir, mas senti.
Não sei se vou sentir de novo. Queria, mas acho que essas coisas só acontecem algumas vezes na vida.
São como efeitos meteorológicos raros. Tem que estar de um jeito, em um certo momento e em uma certa época do ano.

Foi algo rápido,um desviar de olhos na sua direção, uma encarada.
E  quando te vi, aconteceu. Me surpreendi.
Porque ao te lançar um olhar, meu coração parou de bater por um segundo.
Sim, desse jeito. Foi estranho e inusitado.
Me deixou tão desnorteada, tão feliz, tão surpresa, que quase esqueci que ia descer na próxima estação.


Home

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva



Dizem que lar é onde podemos andar apenas de roupa íntima. Onde tiramos o sutiã. Onde a calça jeans sai assim que colocamos os pés para dentro. Onde podemos passar dias sem lavar o cabelo ou trocar de roupa e ninguém vai te julgar.
Mas lar é mais que isso.

Lar é onde nos sentimos confortáveis. Onde podemos ser nós mesmos.
É aquele sentimento de familiaridade.
Um cheiro de bolo de cenoura assando, uma cama de infância.
A certeza de que alguém que ama está no mesmo lugar que você, e não a horas de distância.

Lar é onde se vai para descansar a cabeça.
Onde a loucura do mundo não chega. E apenas um abraço te faz esquecer tudo.

E por mais que, às vezes, não conseguamos suportar estar no mesmo lugar sempre, bate aquele aperto.
Tem horas que é necessário voltar para casa.
Alguns momentos em que estar em qualquer outro lugar não faz sentido.
Chegou a hora de voltar pra casa.



Lendo Sinais

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva


Captar sinais. Talvez nunca tenha sido boa em ler os sinais que estavam em minha frente.
Não esse tipo específico de sinal.
Sempre achava que o tchau era pra mim, mas na verdade era pra pessoa de trás.

Sempre achava que estavam me olhando, mas olhavam pra quem estava ao meu lado.
Talvez seja paranoia. Egocentrismo.
Achar que todo mundo olha pra você.
Que aquela pessoa especial olha pra você.
Que ela te nota.

Mas não. Não te nota.
Nota apenas a pessoa ao seu lado. Você é só o amigo. Alguém que está ali.
Ao seu lado está alguém mais interessante.

Não vou cair no mesmo erro novamente.
Não dessa vez.
Dessa vez vou ler os sinais da forma certa.
Da forma como deveria ter lido das outras vezes.

O sinal que aquele sorriso não é pra você, aquela atitude gentil não é porque há interesse em você.
É pra quem está ao seu lado.

Nada mais de egocentrismo.
Está na hora de deixar isso de lado. Ler os sinais do jeito certo.
Me colocar no meu lugar.

Ao Seu Redor

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Incrível como mudamos ao redor das pessoas.
Como deixamos que elas nos tratem diferente. Mas não todo mundo. Apenas algumas pessoas.
Aquelas especiais.

Estranho dizer que você é especial.
Talvez se chateie, mas não é. Quer dizer, não sei se é.
Não sinto como fosse.
E mesmo assim, ajo diferente ao seu redor.
Não, não ajo diferente. Apenas relaxo mais.

Por algum motivo você gosta de tocar. Falar tocando.
Odeio isso. Odeio quando pessoas me tocam.
Há algo chamado espaço pessoal que algumas pessoas parecem não entender.
Não sei se você entende. Não sei muita coisa sobre você, na verdade.

Só que você gosta de tocar. Me tocar. É, estranho.
E toca meu cabelo.
Deus, como odeio quando tocam em meu cabelo!

E por alguma razão, você toca e não digo nada.
E deixo.
E não acho ruim. É legal até.

Não, você não é especial.
E, mesmo assim, pode me tocar. Tem uma permissão calada para me tocar.
Para me abraçar.
É, talvez eu aja diferente com você.
Talvez você seja especial.

O problema é que não sinto nada diferente quando estou ao seu redor.
Ou quando você está ao meu redor.
Talvez porque seja da mesma forma quando estou ao seu redor como quando estou só. Não precise fingir nada.
É, gosto desse pensamento.

Tomar Coragem

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Um dia ainda tomo coragem e te conto que sempre tive uma crush gigantesca por você.
Te ligo, te mando SMS, te mando inbox, faço sinal de fumaça. Alguma coisa do tipo.
Acho que você nunca pensaria na gente junto, né? Mas eu pensei, bastante. Só nunca tive coragem pra te dizer.

O tempo passa, a vida nos afasta, o momento fica lá atrás.
E aí não tem como falar mais.
Fica estranho. Simplesmente chegar e dizer "ei, você aí, eu acho que a gente ficaria legal junto".
É estranho, não é?

A oportunidade passa, e aí nem coragem é suficiente.
E se achar que eu estou vendo algo que não existe ali? E se achar que estou desesperada?
A verdade é que o medo da reação é maior que qualquer vontade de estar junto.

E agora, depois de tanto tempo, é engraçado pensar no que poderia ter sido.
Nem nos falamos mais.

Será que teria dado certo?
Aposto que teria.
Se um de nós dois tivesse um pouquinho de coragem. Talvez ainda estivéssemos nos falando.

Mas está mais fácil encontrar vodka que coragem no mercado. Na falta da segunda, vai a primeira mesmo.

Quantos Anos Você Tem?

sábado, 24 de agosto de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Quantos anos você tem?
Ou melhor, quanto anos você se sente?
Porque idade não importa muito na verdade. O que importa é com qual idade nos sentimos.

17.
Responderia alguns meses atrás. Naquela época me sentia com dezessete.
Parece que faz anos, décadas.
Não me sinto mais com essa idade.
Por que? Não sei. A gente muda. Cresce. Amadurece.
E não se sente mais com dezessete.

Se sente com trinta. Com o peso das responsabilidades, com a conversa do aluguel, o tempo perdido no trânsito, aquela exposição de artes daquele amigo do amigo.
Não mais as festas, não mais as baladas, não mais a vodka.
Os jantares, os encontros com amigos, os barzinhos, o vinho (porque gente mais velha toma vinho).

A turma fica menor, as saídas mais esparsas.
A vontade não é a mesma. O cansaço é maior.
O peso das responsabilidades.

Na nossa geração, os trinta e poucos estão se tornando os vinte e poucos.
Todo mundo se acomodando. Casando, namorando. juntando.
E quem não se acomoda se vê empurrado a se virar do jeito que está.
A se acomodar também.

Quantos anos você tem?
Quanto eu tenho já nem sei.
Mas me sinto com trinta e poucos.

Banzo

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Tristeza profunda.
Os escravos negros africanos tinham uma expressão para esse tipo de tristeza: banzo.
Anos mais tarde o banzo foi dito por especialistas como uma espécie de depressão.
Porém, ainda sim, o banzo continua sendo uma tristeza profunda.

O escravo não queria mais comer, não tinha forças para trabalhar, só conseguia pensar em sua terra natal e em tempos em que havia sido feliz.
A escravidão foi teoricamente banida em 1888.
O banzo, sendo um sentimento, não pôde ser banido com ela.

A depressão é o mal do século XXI. Um mal característico de classes mais privilegiadas.
Classes que não querem ser associadas à escravidão e por isso chamam banzo de depressão.
Mas é banzo.

Aquele gosto amargo na boca. Um nó no começo da garganta.
A vontade de gritar. A sensação de estar andando mas não sair do lugar.
A vida não estar evoluindo.
A saudade de algo que não podemos ter mais.
Sentimento de impotência.
Banzo.


Solidão

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Ultimamente tenho sentido a vida um tanto vazia.
Um tanto isolada.

"Nenhum homem é uma ilha", dizia John Donne.
Bom, eu digo: todo homem é uma ilha.
Talvez ligada a outras ilhas por um balneário. Um emprego, amizades, um lugar em uma sala de aula.

Porém, continuamos sendo ilhas.
Solitárias ilhas se movendo por um oceano tortuoso chamado vida.
Às vezes a gente tem uma oportunidade de esbarrar em outras ilhas. Algumas são bem parecidas com a gente, se não pela vista, talvez pelo interior.

Só que na maioria das vezes a ilha está por si mesma.
Sem continente. Sem outras ilhas.
Apenas o céu e o mar.

E mesmo trombando em milhões de ilhas a todo tempo, não é como se duas ilhas pudessem se tornar uma.
Dois corpos não ocupam o mesmo espaço.
Um arquipélago é apenas um amontoado de ilhas, não um continente.

Sendo assim, uma grande cidade não é um continente. É apenas muitas ilhas juntas, trombando uma nas outras.
Se distanciando uma das outras.
Sendo ilhas.
Solitárias ilhas.

E não é São Paulo a cidade da solidão?



Dor de Morte

domingo, 4 de agosto de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Essa dor que você sente. É de morte.
Sei que não quer ouvir isso. Preferia que dissesse que está tudo bem. Que a dor vai passar e viverá de novo como antes.
Mas não mentirei para você. Te mentiram a vida inteira.
Pelo menos na morte, te direi a verdade.

Vai morrer. Mas todos nós iremos, não?
Sim, mas a certeza de sua morte é maior.
Sei que parece estranho, mas sinto sua hora se aproximando. Deve ser por causa da dor.
Você tem se queixado cada vez mais da dor. A dor é comissária da morte.

Logo você, que fugiu a vida toda desse momento. Se iludiu tanto, fez os outros te iludirem.
Não queria a morte perto. Não queria nem mesmo uma pequena referência a ela.
Ironia é o que chamariam a isso.

Quem mais foge da morte é quem mais sofre com ela.

Essa dor que sente é de morte.
Está se encolhendo em você, se transformando em semente. Diminuindo cada vez mais.
É preparação? Para que a morte leve o menos possível de você?

Essa dor que você sente, é de morte.
Quero que você morra logo.
Pra dor passar.

Aquele Lugar

domingo, 14 de julho de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Voltamos àquele lugar. Foi estranho.
Está tudo diferente.
É claro que lugares são apenas lugares. Eles mudam. Impossível serem preservados para sempre do mesmo jeito.
Mas a gente espera que eles estejam iguais.

Provavelmente para termos a sensação de voltar no tempo quando os visitarmos.
Revivermos um tempo já passado. A mente humana é teimosa e se recusa a deixar as coisas irem embora.
Está sempre apegada a tudo. Sempre querendo que tudo fique do jeito que é.
Mesmo que esse jeito não seja mais há muito tempo.

O lugar é o mesmo, mas as paredes estão mudadas.
Aquelas paredes que guardaram tantas gargalhadas, tantas lembranças, tantas bobagens.
Estão melhor pintadas, ou foram derrubadas para dar lugar a outras.

As pessoas mudaram. Algumas ainda estão ali. Sobreviventes.
Mas a maioria é diferente. Não são as mesmas de quando íamos lá.
Tem um estilo que não é igual ao nosso. Algo que as difere de como éramos quando frequentávamos o lugar.

O lugar está diferente. Quase irreconhecível.
Ainda bem que não nos definidos por ele.
Porque por mais que o lugar tenha mudado, nós ainda somos os mesmos.
Talvez também tenhamos mudado. Porém, nossa relação não mudou muito.
Ainda somos aquele mesmo grupo de adolescentes. Ainda temos aquela mesma paixão por algo que nos unia. E ainda une.
O que é esse algo? Nunca saberei.
Mas sei que essa paixão ainda está lá.

Por mais que o lugar mude, tem algo que nunca vai mudar.
Algo que nasceu lá.
Nossa amizade.
Isso eu sei que é mais eterno que um simples lugar.
Mesmo que seja aquele lugar.

Sucesso

terça-feira, 2 de julho de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Sucesso. Está aí uma coisa que a maioria das pessoas deseja. Se não explicitamente, no mais íntimo do seu ser.
E é estranho.
Porque quase todas as pessoas conseguem atingir o sucesso.
O problema é que alguns o confundem com fama.
E essa raríssimas pessoas alcançam.

A fama requer trabalho duro. Sim. Mas o que é realmente necessário para se ter fama é sorte.
Uma boa, gigantesca, inimaginável, dose de sorte.
E sorte é dividida desigualmente, cegamente e desnecessariamente.
Ao contrário da Justiça, Fortuna enxerga e ouve muito bem. Ela só é má por natureza.

Ao contrário do sucesso.
O sucesso não depende de uma deusa romana. Ou de deuses de nenhuma das mitologias.
Depende apenas de você.
É um pensamento intrínseco na sociedade que, se você trabalhar duro o bastante, e com força de vontade o bastante, conseguirá dinheiro e fama.
Mas não é verdade.
Você conseguirá sucesso.

E sucesso não é uma foto sua na capa de uma revista. Ou um discurso seu entre os vídeos mais vistos do Youtube. Ou ainda seu livro na lista de mais vendidos.
Sucesso é o sorriso que aparece em seu rosto toda a vez que um cliente dá uma boa gorjeta e o elogia ao gerente.
Sucesso é quando o paciente procura por você e apenas você para tratar dele, por causa da sua gentileza e o tratamento que deu a ele, como se estivesse tratando de seus próprios filhos.
Sucesso é quando você organiza todos os papéis daquele arquivo tão perfeitamente que seu chefe te dá um sorriso orgulhoso e fala a todos no escritório quão bom você é.
Ou quando você limpa o chão com tanta vontade que seu próprio reflexo pode ser visto nele.

Sucesso não é aparecer na televisão.
Sucesso é fazer o que gosta e fazê-lo bem feito. Não importa o que for. Garçom, médico, secretário, faxineiro.
O que se faz para ganhar a vida não te faz um perdedor ou um ganhador.
Mas sim como você o faz.
Fazer as coisas bem feito e se sentir feliz com o que está fazendo.
Isso é ter sucesso.

Perguntas de Uma Geração Perdida

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Nossa geração está perdida. Não pelo grande número de gays assumidos que circulam pelas ruas de mãos dadas. Não por nossas mulheres se vestirem como "vadias".
As gerações antes de nós tiveram uma ditadura e suas poupanças roubadas.
Estamos perdidos em um labirinto de ideias e informações.
Nós não temos pelo que lutar.

E aí temos uma manifestação pacífica que acabou não sendo tão pacífica assim.
E outra manifestação que foi pacífica mas que o despreparo por parte das autoridades acabou por torná-la muito menos pacífica que a primeira.
A desculpa usada para as manifestações chega a ser até ridícula. Mas desculpas não são todas ridículas?
"Não é isso que você está pensando", "to chegando", "só mais um episódio".

Agora a causa. Aí é que pega. Qual é realmente a causa?
A corrupção? Mas essa não deveria ser combatida nas urnas?
A violência? Por parte de quem?

Existem muitas perguntas sem respostas.
E com essas perguntas, outras perguntas mais.
Qual a solução para todas as revindicações? Soluções concretas existem?
Quem está por trás de tudo isso?
É alguém que vai mudar algo mesmo? Ou iremos reencenar A Revolução dos Bichos mais uma vez?
(Porque 1917 não foi suficiente.)

Estamos procurando uma causa pela qual lutar.
Mas será que estamos escolhendo a certa?
Será que é realmente necessário lutar por algo?

Então ocorre um grande ato de repressão. E os espíritos são reacesos. Jovens se sentem dentro do romance de Vítor Hugo. Aí está sua causa! Aí está pelo que lutar!

Mas será mesmo? Será que estamos vendo isso do ângulo certo?
Será que não estamos olhando perto demais? Talvez seja necessário um olhar mais amplo. Erguer a cabeça um pouco para ver o que está lá em cima.
Acima das balas de borracha e do gás lacrimogêneo.
Sei que é difícil, sei que é dolorido. Sei que não fomos ensinados a isso.
Erguer a cabeça. Fomos sempre ensinados a dizer "sim, mamãe", "sim, professora".
Será que essa é uma luta do povo mesmo?

E se for ganha (utopia, mas não custa nada pintar o cenário na imaginação), o que é que acontece?
Bom, sabemos como terminaram as lutas dos livros.
E espero que não tomemos o mesmo rumo. Não quero nem virar porca, muito menos acabar morta.

Uma Namorada

domingo, 16 de junho de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Eu na verdade nunca gostei de você. Consigo enxergar isso claramente agora.
Não do jeito que eu achava que pudesse gostar durante aquele pequeno período de tempo.
E acho que você nunca gostou de mim desse jeito também.

Tudo o que não ocorreu entre nós, as palavras não ditas e as atitudes não tomadas. Nem só por isso é que afirmo que você nunca gostou de mim.
Não desse jeito que você pensou que gostava.
Quer dizer, pensou? Você alguma vez pensou que gostava de mim?
Alguma vez chegou a meramente cogitar que gostava de mim?

Bom, não vem ao caso. O caso é que a gente não se gostava. Porque se se gostasse teria pelo menos tentado ficar junto. Uma pergunta adivinhada e uma resposta tão explicada não deveriam ter nos parado. Se a gente se gostasse mesmo.
Se estivéssemos em busca da mesma coisa.

Mas não era o caso também. Porque você estava procurando por uma namorada.
Alguém que segurasse sua mão enquanto passeavam pela rua. Alguém pra assistir as mesmas coisas chatas que você. Alguém pra ir no cinema. (Eu nem gosto tanto assim de cinema.)

E eu só queria alguém que gostasse de mim.
Não pelas coisas que eu gosto, ou pelo que eu falo.
Mas pelo conjunto todo. Pela minha pessoa.
Alguém que eu também gostasse de volta.

E você só queria uma namorada.


Pão de Mel

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Na primeira mordida tudo parecia igual. Apenas mais um pão de mel delicioso, cobertura de chocolate e recheio de "prestígio" (um leite condensado com coco).
Mas a partir da segunda tudo mudou naquela tarde.

Será que era eu? Será que meu cérebro tinha dado tilt?
Ou será que mais alguém já se sentiu desse jeito?

Porque conforme comia aquele pão de mel, a sensação era a mesma que abraçar minha mãe.
Uma sensação deliciosa, algo familiar.
Um dormir na cama com ela antes do meu pai chegar do trabalho. Um beijo rápido e um "bença" desleixado antes dela ir trabalhar. Uma lasanha de domingo que só ela sabe fazer. Um perfume característico, aquele que só ela tem.
Um abraço.
Abraço de mãe.

São algumas coisas que deveríamos tirar um tempo para aproveitar.
Algumas poucas coisas que nos fazem sentir uma sensação diferente. Aquela sensação leve de que temos todo tempo do mundo. A sensação de abraço de mãe.
Uma dessas coisas foi o pão de mel.

A outra?
Só o abraço mesmo.

Azar, Sorte ou Falta de Talento?

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

É como se você não soubesse o quão ruim é.
E no caso, realmente ruim.
Me pergunto sempre se as pessoas são sinceras. Ultimamente tenho achado que não.

"Seu cabelo está bonito", "você escreve bem", "você se veste bem".
Porque dizer a verdade é ser rude? Sério. Às vezes só queria saber o que as pessoas realmente pensam.
Porque quando elas começam a mentir muito para você, você começa a ter uma visão errada de si mesmo.

Que se dane ferir sentimentos. Que se dane o que vou pensar.
Por pelo menos um dia queria saber o que realmente pensam de mim.
"Você nunca vai conseguir", "você não é tudo isso", "não entendo porque você continua tentando", "pare de perder tempo com algo que você não sabe fazer".
Só isso.

Porque se alguém te falar isso, talvez você consiga entender que não foi feito para aquela vida. Que o caminho que você está tentando não é pra você.
Que, se você for esperto e ouvir os outros, talvez ainda não seja tarde demais para virar uma esquina e partir em outra direção.
Mas parece que as pessoas são impossíveis de falar a verdade. De dizer o quão não original você é. O quão sem talento. O quão não você é o caminho que você está tomando.

Eu só queria, por um momento, entender se é falta de sorte, se é azar demais, ou se é o talento mesmo que não existe.
Se forem as duas primeiras, talvez até possa pensar em continuar tentando.
Mas se for a última, queria mesmo que me dissessem.
Porque a opção de virar a esquina está quase aí. E se não virar agora, é bem capaz de desperdiçar uma boa parte da vida em algo que nunca conseguirei alcançar.

Sou Legal, Não To Te Dando Mole

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Sempre tento ser legal com todo mundo. Essa é a minha natureza. Sempre foi e acho que é por isso que tanta gente gosta de mim e eu gosto de tanta gente.
Na maioria das vezes sou fácil pra conversar, embora goste de mostrar minha opinião sobre as coisas. Não de um jeito imposto. É mais algo expositivo.
Então, entendo quando as pessoas estão sendo legais comigo.

Eu só não entendo quando elas estão "dando mole".
Há uma diferença entre "dar mole" pra alguém e "dar em cima" de alguém. Dar em cima é sempre algo descarado, e vem acompanhado de uma frase esdrúxula que te repugna.
Dar mole é diferente.
É algo mais suave. Uma pequena atitude, ou um pequeno gesto que mostra que você está a fim de alguém.

Meu problema?
Nunca sei diferenciar quando essa atitude ou esse gesto é porque a pessoa está sendo legal, gentil, ou se ela está a fim. Ainda mais quando é por alguém que estou interessada.
Por alguém que acabei de conhecer e estou interessada.

Mesmo sem saber assumo que ela está a fim de mim e acabo fazendo planos mirabolantes na minha cabeça. Envolvendo a pessoa durante dez anos da minha vida. Achando que ela estava "dando mole".
Mas na verdade, ela estava só sendo legal.

Quer dizer, ainda não sei.
Não tive coragem de perguntar.
Mas me diz, você só tá sendo legal, ou tá me dando mole?


He's Just... [Blank Space]

sábado, 25 de maio de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Adoro conhecer pessoas. É uma coisa estranha de se dizer, ainda mais vindo de alguém que não gosta de pessoas.
Não gosto de pessoas no geral. No particular é outra coisa.
Pessoas do dia a dia, da rua, do ônibus, essas não me importam.
Mas a relação do motorista com o cobrador, e dos dois com o fiscal. A caixa de supermercado que passa meu cartão a cada duas semanas. O senhor do caixa que me cobra uma fortuna por um cafezinho.
Essas pessoas me despertam a curiosidade. Querer saber mais sobre elas, de onde vem, de como vivem a vida.

E aí tem você. Você em específico. Você que acabei de conhecer.
Você que é apenas um espaço em branco para mim. Um mistério.
O que você gosta? Música preferida? Odeia uma comida? Alergias?
Essas pequenas coisas estúpidas que a gente vai pegando com a convivência.
Mas queria mesmo era saber agora.

Parece que temos pouco tempo pra essa coisa de conviver. Você é um mistério pra mim, e o episódio dessa semana parece querer acabar antes que tudo possa ser revelado.
E odeio esse sentimento.
Queria mesmo era poder te conhecer melhor.

Na falta disso, fica uma lacuna em branco.
Que provavelmente nunca vai ser preenchida.

Vamos Fugir?

sábado, 18 de maio de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Vamos fugir?
Não.
Esqueça que eu disse isso. Finja que não foi pra você que perguntei. Que não estava te dirigindo a palavra. Finja que estava cantarolando a música.
Esqueça.

Não que eu não queira fugir. Ainda quero.
Só não quero ir com você.
Não me entenda mal, não é algo pessoal.
Não quero ir nem com você nem com ninguém.

Quero fugir sozinha.
Deixar tudo que me lembra o agora pra trás.
Recomeçar. Nem que seja durante um pequeno período de tempo.
Fugir das pessoas, dos lugares, dos ares e da rotina.

Fugir de mim mesma.

É por isso que não quero que vá comigo.
Você só vai me lembrar de tudo o que quero fugir.
De tudo o que preciso fugir.

Às vezes a gente só precisa de um escape.
Fugir da realidade.
Mas às vezes, a gente precisa fugir de verdade.

Algumas pessoas não foram feitas para gaiolas.


Pensamentos, Palavras, Atos e Omissões

sábado, 13 de abril de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Ainda bem que eu não te disse tudo o que queria te dizer.
Queria te perguntar o que foi que aconteceu. Se eu fiz alguma coisa. Ou se foi você.
Queria saber porque é que você nem se desculpou. Ou porque não me deu uma desculpa qualquer.
Porque não me disse mais nada.
Mas ainda bem que não fiz.

Estávamos conversando, eu e uns amigos, e fiquei sabendo do caso de uma menina. Uma menina que podia ser muitas. Que provavelmente é muitas.
Ela fez a burrice de exigir satisfação de uma coisa que nem um relacionamento era. Não sabia que ficar com alguém duas vezes não é nada. Agiu como muitas outras, e ficou taxada de sem noção.
Porque só pessoas que não tem noção do que é um relacionamento agem assim.
Pessoas que não percebem a dica das outras.
Que quando alguém para de falar com você, é porque não quer mais nada. Ou porque nunca quis nada.

Eu até pensei em te procurar. Na minha cabeça já estava te mandando milhões de perguntas.
Mas ainda bem que os atos são diferentes dos pensamentos.

Já existem muitas pessoas sem noção no mundo.
E o que mais me assusta é o quão perto passei de ser uma delas.


Saudade

domingo, 31 de março de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Dizem que saudade é a sétima palavra mais difícil de se traduzir de todas as línguas do mundo. Dizem também que o alemão tem uma expressão equivalente, mas dizem que não é bem equivalente.
Dizem que saudade é um sentimento português. E que só o povo português consegue entendê-lo por completo.
A saudade portuguesa é algo triste, melancólico.
Algo que não se encaixa muito em nossa terra tropical.

O povo brasileiro parece ter sua própria saudade. Algo diferente do "sentir falta", algo diferente da nostalgia, e algo também diferente da saudade portuguesa, que faz lembrar tanto o mar gelado para eles e os tempos de glória de um império que quase dominou o mundo todo.

Nossa saudade parece diferente. A gente usa a palavra a torto e a direito, mas é um sentimento complicado de explicar. Saudade é saudade.
Neruda dizia que "Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...". Só que não é isso. Creio que ele estava um pouco equivocado. Mas, afinal, o que Neruda sabia sobre saudade? Era chileno...

Definir saudade é impossível. Para chilenos, para alemães. Mesmo para brasileiros e portugueses.
Porque saudade a gente sente e não fala.
Saudade é sentimento e não palavra.

É querer algo de volta, sabendo que nunca mais terá. Saber que a situação ficou no passado, mas querer revisitá-la. Nem que seja por um pequeno instante.
Saudade é ilusão de que o que se foi pode ser de novo. Ilusão porque sabemos que não pode. Que não volta.

Saudade anda de mãos dadas com o tempo. Como ele, ela vêm e vai embora.
E deixa na gente uma tristeza gostosa. Uma tristeza alegre.
Tristeza que, mesmo sabendo que aquilo não voltará, vivemos bem. Vivemos felizes.
Nem que seja naquele pequeno momento de saudade.

Cidadezinha Qualquer

domingo, 17 de março de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Cidades natais são engraçadas. Não circo engraçadas. Mais estranhas engraçadas.
Aquela mesma rua de comércio, onde letreiros e fachadas mudam com o tempo, mas as lojas continuam as mesmas.
Aquela sorveteria que seus pais te levam desde de criança, com mais opções de coisas pra colocar no sorvete do que opções de sabores em si.
Aquela mesma visão da sua janela: a rua, árvores, céu.

Há coisas que as cidades do interior tem que não fazem a mínima falta.
Encontrar pessoas (que você não gosta muito) na rua sempre que dá um passo pra fora de casa. Falta de opção do comércio. As três casas noturnas que se pode ir no fim de semana (duas delas tocam sertanejo). As pessoas novas que você conhece que nunca são novas de verdade porque são amigas ou até irmã(o)s de conhecidos.

A não aceitação. Os olhares atravessados por não estar usando as mesmas roupas que todo mundo.
O que se tem ser muito maior que o que se é.
As aparências provincianas. Como em uma história tirada da Geração Romântica do século XIX. Apenas trocaram-se as roupas. As atitudes continuam iguais.

E ainda sim, às vezes se sente aquela saudade. Porque há algumas coisas que apenas cidadezinhas do interior ostentam.
Conseguir encontrar a constelação do seu signo no céu estrelado. Comer até dizer chega e poder sentar no sofá sabendo que não precisa fazer nada o resto da tarde.
Abraço de mãe.

Mas Elas São Todas Iguais!

sábado, 16 de março de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

É difícil admitir que um dia você mudou alguma coisa para se enturmar. O cabelo, o jeito de falar, as roupas.
Não é uma coisa que se sente orgulho por ter feito, mas a maioria de nós já o fez em algum momento da vida. Mesmo sem ter consciência disso. Quase sempre sem ter consciência.

Nessa sociedade que preza cada vez mais o individualismo, não se encaixar em um certo comportamento de grupo é inaceitável.
Mas às vezes percebemos que o que estamos fazendo não é bom para nós. Não é algo de nós mesmos. Mudar por um outro para que ele te aceite. É um tanto quanto loucura.

Algumas pessoas vão tão a fundo nisso, e levam o sentimento de se enturmar tão a sério, que acabam ficando parecidas umas com as outras. É algo como o que vemos em grupos de garotas: cabelos lisos compridos normalmente castanhos ou com luzes, roupas de mesmas marcas, maquiagem parecida.
Parece que nenhuma tem personalidade própria. Que para se enturmarem tiveram que deixar de ser elas mesmas e se tornar "o grupo", a outra refletida em si, e si refletida na outra.

Falam, andam, gesticulam do mesmo jeito. E parecem realmente assustadas em presença do diferente.
Pessoas que agem igual tendem a desprezar, e muitas vezes hostilizar o diferente.
Se não tem a mesma aparência que elas não serve para ser visto no mesmo ambiente que elas frequentam.

É algo enojante. E algo que nunca conseguirei entender.
Por que pessoas querem ser iguais se a beleza está nas diferenças?
Por que usar as mesmas roupas e ter os mesmos cortes de cabelo?
Falar com as mesmas pessoas e fazer sempre as mesmas coisas?

Nunca vou entender essa acomodação com o "mais do mesmo". Essa necessidade de se cercar de pessoas idênticas e sem graça.
E de se achar melhor que os outros que são um pouquinho diferentes.
Até porque não há nada de superior em desprezar diferenças.

Pessoas que cultivam as diferenças não conseguem ser iguais a outras por muito tempo. Acaba cansando, irritando.
E é aí que "amizades" acabam. Que relacionamentos passam de "amigos" para "conhecidos" para "olho para sua cara mas não te cumprimento".

Mas essas "amizades" não fazem falta alguma.
Porque elas são todas iguais. E eu só consigo ser diferente.

Eponine Nunca Mais

segunda-feira, 11 de março de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Cheguei a achar que era uma maldição. Que por alguma razão eu era uma garota amaldiçoada.
Como se todas aquelas histórias fictícias de contos de fadas pudessem se tornar realidade.
Talvez minha imaginação fosse um pouco selvagem. Talvez eu fosse dramática demais.
Mas uma coisa era um fato na época: eu parecia ser incapaz de me interessar por caras descompromissados.

E eu sempre fui a melhor amiga. Eles realmente não me viam de outra maneira.
Conversávamos sobre tudo mas sempre pairava aquela sensação. De que eu os colocava por primeiro enquanto para eles eu era só mais uma garota. Ou mais um amigo.

Mas aí a gente vai se distanciando das pessoas e vendo que aquele sentimento que se nutria com relação a elas não era saudável. Não era algo real.
Pra ser real tem que vir dos dois lados.
As duas pessoas tem que querer aquilo.
Querer um ao outro.

Abri os olhos pra perceber que não adianta ficar esperando.
Já esperei muito na vida. Meus pais na saída da escola, amigos me chamarem pra sair, o cara olhar pra mim do jeito que via a namorada.
Chega. Não quero mais ser Eponine.
Pra falar a verdade, Marius não vale tanto a pena assim.
Já to de olho é no Enjolras.


A Beleza da Tragédia Fictícia

segunda-feira, 4 de março de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

O ser humano é um animal muito curioso.
Não gostamos de sofrer. Queremos nossa vida linda, caminhos abertos, situações fáceis.
Não gostamos de tragédias nela. Tentamos ao máximo evitar dramas.
Mortes então, nem pensar!

Mas ao contrário do que desejamos a nossa vida, acontece algo um tanto diferente com o cinema e a televisão.
Vendo assim, de fora, a tragédia é algo lindo.
A tragédia alheia é algo curioso, chamativo, maravilhoso.

Não queremos vivenciá-la, mas adoramos assisti-la. Adoramos a sensação de deliciosa tristeza que a tragédia traz a nossos corações.
E a procuramos, a dizemos "bem encenada", e choramos por pessoas que não são nem reais.

A beleza da tragédia fictícia é que ela não é real. Não existe no mundo concreto. Não machuca ninguém para valer.
Mas mesmo assim, ainda faz nosso coração doer. Nem que seja só um pouquinho.
E depois vai embora e fica só a beleza.


Máscaras

sexta-feira, 1 de março de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Nos comportamos diferentemente com diferentes pessoas. Não há como contestar isso.
Somos um com amigos de infância. Outro com o pessoal do trabalho. Outro com os amigos da faculdade e outro ainda com amigos que fazemos pela vida.
E um totalmente diferente com a família.
Talvez o mais verdadeiro com a família.

É como se, quanto mais conhece alguém, mais essa pessoa tem o privilégio (ou não) de conhecer-nos mais profundamente.
De saber realmente quem somos em nossa versão mais interior.

É como se usassemos várias máscaras com o formato de nosso próprio rosto. E vamos tirando-as conforme convivemos.

Não é como se quiséssemos passar aos outros o que não somos. Pois somos nós mesmos, mas em níveis diferentes. Níveis superficiais, médios ou profundos.
Não estamos fingindo. Talvez apenas ocultando algo. Que se pudermos, iremos mostrar conforme nos relacionarmos mais.
Isso não é algo ruim.
Apenas mostra como seres humanos são algo complexo. Maravilhosamente complexo.

Ser você mesmo, não importa em que nível.
Não olhar para alguém apenas pelo nível superficial que conhecemos.
Talvez seja muito mais difícil do que aceitar que nós mesmos temos camadas. E que não somos iguais com todo mundo.
Ninguém é apenas aquilo que aparenta.
Somos sempre muito, muito mais.
E isso é quase impossível de se ver.


Uma Tempestade de Verão, Por Favor

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

To querendo um amor. Acho que nunca disse isso antes. Mas estou querendo um amor.
Não é bem amor, pra falar a verdade. É mais uma paixão.
Daquelas que vêm, te preenchem e vão embora.

Nada de pra sempre. Pra sempre é utopia criada pelos poetas. Igual a eterno enquanto dure.
Quero algo que venha e vá embora.
Não precisa nem me deixar depressiva quando for. Não precisa nem fazer falta depois.
Mas precisa ser verdadeiro. Por aquele instante pelo menos.

Não quero nada muito longo também. Quando paixão se arrasta parece que vai durar pra sempre.
E não quero pra sempre, já disse. Não acredito em pra sempre.
Quero um agora. Até semana que vem.

Precisa ser intenso, mas não demais. Intensidade demais faz mal pra alma da gente. Faz a gente ficar necessitado do outro.
E não quero necessitar de ninguém.
Quero que venha e vá embora. Como tempestade de verão.

É isso mesmo que quero: tempestade de verão em forma de paixão.
Só que não quero me molhar.
Odeio chuva.
Mas adoro a sensação de frescor que ela traz.


Partir

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva
"Por que as pessoas estão sempre partindo?"
Li essa frase em algum lugar e me fez refletir.
É uma verdade inegável que pessoas estão sempre partindo. Da cidade, da nossa vida. Mas porquê?
A resposta mais simples seria "porque sim".
Por causa da vida, das circunstâncias, das oportunidades.

Mas, se pensarmos bem, ninguém precisaria partir pra nenhum lugar, a não ser para os braços inevitáveis do descanso eterno.
Partimos porque queremos mais.
Partimos porque nunca estamos satisfeitos.
Porque parado não adianta viver.
A vida é mais que olhar pela janela. É mais que ver o trem passar.

É ir. É partir. Deixar coisas para trás. Pessoas para trás.
É entrar no trem, é fazer o caminho caminhando.
É chegar ao destino, e quando chegar querer partir para outro lugar.

Sempre para frente, sempre lugares novos. Pessoas novas.
As pessoas partem porque ficar nunca é suficiente.
Às vezes não pra elas mesmas, mas pra vida.

No fundo, não são as pessoas que estão sempre partindo, mas a vida que não para.
Não dá trégua, não dá tempo, não dá acostamento.
Quem decide como se chegar ao final dela somos nós.
Mas o final é inevitável. Só depende da gente mudar a paisagem.

A Queda do Superman

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Há um momento em nossa infância em que percebemos que super heróis não existem de verdade. Que aquelas personagens que pensávamos nos proteger a qualquer custo e de qualquer e todo mal não passavam de invenções da mente humana.
Não levamos muito para atingir essa percepção. Ela vem naturalmente.
Às vezes presenciando uma injustiça acontecer conosco ou com outros.
E às vezes você só acorda uma manhã e percebe que eles simplesmente não existem.

A primeira forma é a mais dolorosa. Você vê aquilo acontecer e quem deveria interferir olha para outro lado ou esconde a vista com uma máscara.

Mas a pior forma de desapontamento é quando os heróis são de carne e osso. São aqueles próximos a nós. Os que dizem "vamos lhe amar e cuidar para que nada de ruim te aconteça".
O problema é que eles não percebem que ao não cumprir o que dizem acabam fazendo com que não acreditemos mais neles.
Nossos heróis estão mortos. Mas não fomos nós que matamos.
Eles mesmos se jogaram do prédio das nossas afeições, gritando a plenos pulmões as próprias convicções.

Se mataram como nossos heróis. A capa e máscara jazem caídas no chão e tudo o que se consegue ver é a verdadeira face. A humana.
E a face humana machuca.

A queda dos nossos heróis de carne e ossos são dolorosas para nós.
Mas importantes para percebermos que os "heróis" do mundo real não tem super poderes.
E não estarão ali para aparar nossa queda, ou nos apoiar em qualquer situação.
Porque eles mesmos já estão no chão.

Conversa de Metrô

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

"...Mas você não sabe o que ele me falou..." "...Três mil, acredita! Era isso que ele queria." "Mas e aí, vai pagar mano?" "Pior que não sei cara, porque..." "Próxima estação ... desembarque pelo lado ... do trem" "Com licença, pode me informar se é nessa estação..." "...Mas cara, ela é muito linda né?..." "...E quando é que vocês casam? Porque, sabe amiga, eu tenho essa conhecida que..."

Frases no vento. Pequenas palavras sem significado. Para qualquer outro. Talvez até para si mesmo em algum momento no futuro.
Ou com muito significado.

Conversas perdidas na pressa do metrô. Palavras ditas entre o abrir e o fechar rápido das portas.
Cuidado com as portas automáticas. E com as conversas automáticas.

Uma ou outra vai com o vento forte provocado pela chegada do trem. Outras ficam no vão entre a plataforma e o vagão. E algumas nos acompanham até a escada rolante. Até as catracas. Até a saída. Até nosso destino.
Ficam em nosso cérebro, grudadas, como a coisa em que pisamos ao fazer a baldeação.

E ainda aquelas impacientes nas catracas, com pés nervosos, olhos vidrados na saída da escada rolante e a todo momento se dirigindo a relógios. O tempo é algo precioso no metrô. E comumente é matado com conversas rápidas e desatenciosas.

Outras se cruzam como as linhas dos trens. E outras queríamos que existem, mas estão ali, caladas.
Palavras caladas em um lugar cheio de conversa.

Algumas são duras. Muito duras. Dirigidas a estranhos.
E outras, também dirigidas a desconhecidos, são doces e pacienciosas.

O metrô é assim.

Rápido, como suas conversas. Indo e vindo, como as pessoas.
Sempre andando para frente, como a vida.

Ser Feliz

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Postado por:Maria Raquel Silva

Nunca entendi muito bem porque nas novelas a vilã sempre tem que destruir a felicidade da mocinha para ser feliz.
Por que ela não consegue simplesmente ser feliz por si mesma? Que se dane a mocinha, por que não procurar a felicidade em outra coisa?

Acho que penso assim porque nunca precisei de muito para ser feliz.
A felicidade sempre foi algo natural a mim. Algo que não se precisa procurar muito para encontrar. Às vezes não se precisa procurar de forma alguma.
Parece até que ela encontra a gente, no momento que a gente menos espera. Quando a gente nem está pensando muito sobre estar feliz ou estar triste.
É um momento em que nossa mente está longe, você percebe a situação a sua volta, sorri e pensa "nossa, acho que isso é o que chamam de felicidade".

Como um dia morno de verão, no banco de trás do carro, com seus pais conversando sobre alguma besteira sem importância, e a paisagem verde da sua terra natal, com campos e mais campos, passando rápido pela sua vista, uma estrada inteira pela frente.
Ou então quando você se senta à mesa da casa da sua avó e come aquele bolo de fubá que acabou de sair do forno, enquanto ela reclama do quanto você está magro e insiste em perguntar porque nunca vai vê-la, mesmo você tendo a visto na semana passada.
Quando sua barriga dói de tanto rir de algo que um de seus amigos falou. Algo provavelmente estúpido, que outras pessoas não achariam a mínima graça, mas que por anos vocês irão relembrar e rir com a mesma intensidade.
Ou quando aquela música que dá vontade de dançar de repente começa a tocar. E sem se importar com mais nada você simplesmente esquece de tudo e começa a dançar.
Quando alguém que você não conhece está lendo seu livro favorito, e você solta um sorriso inevitável.
Uma refeição em família, em que todo mundo fala ao mesmo tempo e você não consegue distinguir nenhuma conversa.

Quando você vê seu nome na lista de aprovados.
A risada de um bebê. Ainda mais se esse bebê estiver sorrindo para você.

Aquela manhã chuvosa em que o despertador toca, você começa a se levantar e lembra que é feriado.

Não preciso ter experienciado a tristeza pra saber. Sou feliz por essas pequenas coisas.
E outras. Muitas outras.
A vida é boa.



 

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